Livro vai contar 30 anos do Festival de Gramado

Luzes, câmera. Ação? Não: impressão. O Festival de Gramado procura patrocinador para o livro que pretende contar a história dos 30 anos do evento cinematográfico mais importante do Rio Grande do Sul. Um dos maiores do País, também. Ao longo deste tempo todo, Gramado tem competido com Brasília pela primazia de lançar o holofote sobre a produção nacional. É verdade que Brasília leva a taça da persistência. Mesmo na cinematograficamente recessiva era Collor, quando a produção caiu quase a zero no País, Brasília permaneceu um festival do cinema brasileiro. Gramado, na mesma época, tentou resolver o impasse - a carência de filmes -, flertando com a produção ibero-americana. O festival virou latino e brasileiro. Voltou a ser brasileiro, mas este ano terá três competições, cada uma com seu júri particular: cinema brasileiro de ficção, cinema brasileiro documentário e filmes latinos.Tudo isso - e muito mais - estará contado no livro que tem coordenação editorial de David Quintans, cineasta português radicado no Rio Grande. Quintans já fez três filmes sobre o festival que agita a cidade serrana gaúcha. Ele já comemorou os dez anos de Gramado num curta, o 20.º aniversário em outro curta e transformou a festa de 25 anos num média-metragem. Resolveu agora fazer uma película em papel ou um filme impresso, como diz. Partiu dele a proposta, levada ao diretor-geral do evento, Enoir Zorzanello, de publicar um livro e não fazer um quarto documentário sobre o aniversário de Gramado. Zorzanello topou e o projeto começou a tomar forma.Gramado - 30 Anos de Cinema Brasileiro não é um trabalho individual de Quintans. Ele assina a obra, na dupla condição e editor e coordenador editorial. Outro conselho, também por ele dirigido e integrado por Hiron Goidanich, Tuio Becker e Péricles Gomide, cuida da parte gráfica do projeto. Mas os autores são vários. Envolvem quase toda a intelligentsia cinematográfica do Extremo-Sul. Quintans encomendou, por exemplo, à pesquisadora Fatimarlei Lunardelli, autora de um livro sobre o cinema dos Trapalhões (Oi, Psiu!), uma pesquisa sobre os 30 anos da história de Gramado, iniciada em 1972, quando Toda Nudez Será Castigada, o filme mítico que Arnaldo Jabor adaptou da peça de Nelson Rodrigues, com Darlene Glória no papel de Geni, foi o vencedor do Kikito.Tuio Becker, que até há pouco ocupava o posto de crítico de cinema do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, escreve um capítulo sobre o cinema gaúcho em Gramado. Ney Gastal escreve outro sobre seu pai, Paulo Fontoura Gastal, o Calvero, patriarca da crítica gaúcha e um dos responsáveis pela permanência do festival. Hiron Goidanich, o Goida, ex-Zero Hora, responsável pela atualização e complementação da edição do Dicionário de Cinema, de Jean Tulard, pela L&PM, desvenda os bastidores destes 30 anos de Gramado. O crítico paranense Carlos Eduardo Lourenço Jorge discute a importância dos debates com diretores, atores e técnicos após a exibição dos filmes concorrentes. Carlos Gerbase analisa a produção de Super-8 que Gramado ajudou a consagrar - e, se você é cinéfilo, sabe da importância que essa bitola adquiriu no Rio Grande, onde ela chegou a ser profissionalizada num circuito alternativo, nos anos 1970.Já que Gramado, num determinado momento, virou um festival de cinema latino, nada melhor do que encomendar a Maria do Rosário Caetano, autora de Cineastas Latino-Americanos - Entrevistas e Filmes, um capítulo sobre o assunto. Goida, de novo, escreve o capítulo dedicado a Oscarito, cujo nome foi dado ao prêmio que destaca figuras que deram excepcional contribuição ao desenvolvimento do cinema no País. O pesquisador gaúcho Antônio Jesus Pfeil assina o capítulo dedicado ao pioneiro Eduardo Abelim, que deu origem ao filme Sonho sem Fim, de Lauro Escorel, e cujo nome foi dado a outro prêmio que o festival vai entregar pela segunda vez este ano. E como ninguém resiste a uma boa fofoca, Roberto Gigante, o mais irreverente colunista social do Sul, vai apontar não apenas os chiques e famosos, mas também quem fez o que (e com quem) nestes 30 anos maravilhosos.Faltando pouco mais de um mês para o 30.º Festival de Cinema de Gramado - que vai ocorrer de 12 a 17 de agosto -, a prioridade é a busca de patrocínio para o livro que terá 218 páginas, suficientes para abrigar todos esses textos e mais as 300 fotos escolhidas por Quintans para contar a história do festival. Ele esclarece que o livro terá o formato de 26 cm x 26 cm e que o projeto contempla duas versões: uma de capa dura, que terá a tiragem de mil exemplares, e a outra uma brochura com 2 mil exemplares. A previsão é de que o livro seja dado aos convidados do festival e também colocado à venda nas livrarias, para suprir a necessidade de informação dos cinéfilos e colecionadores.Inscrito na Lei Rouanet, o projeto do livro Gramado - 30 Anos de Cinema Brasileiro está orçado em R$ 250 mil. Não parece muito e, considerando-se a projeção que o festival garante a Gramado como cidade turística, a captação não deveria ser tão difícil na própria cidade ou, mesmo, no Estado, que também se beneficia do destaque que o evento alcança na mídia nacional e até internacional. Interessados em investir podem contactar Quintans no telefone (0-51) 3342-3699 ou então diretamente na assessoria de Imprensa do festival, pelo fone (0-51) 3395-3906.

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