Livro, fotos e mostra de filmes relembram Alex Viany

O cineasta e crítico de cinema Alex Viany será lembrado, de hoje a sexta-feira, na Casa de Ruy Barbosa, com a exibição de três filmes dele (Ana, episódio de Rosa dos Ventos, de 1955; Agulha no Palheiro, de 1952, e A Noiva da Cidade, de 1978), uma exposição de fotos e o lançamento do livro Alex Viany: Crítico e Historiador, do pesquisador paulista Arthur Autran. Ao lado de Paulo Emílio Salles Gomes e Muniz Vianna, ele foi um dos fundadores da crítica cinematográfica no Brasil e, segundo Autran, influencia até hoje o cinema nacional."Meu livro trata das décadas de 40 e 50, quando ele levanta as questões que desembocariam no Cinema Novo. Ele foi do grupo pioneiro na defesa de linguagem e temática nacionais e, quando realizou seus próprios filmes, pôs em prática o que predizia", defende Autran, que leciona História e Teoria do Audiovisual Brasileiro na Universidade de São Carlos. "Na pesquisa da histórica, seu livro Introdução ao Cinema Brasileiro, de 1959, é ponto de partida. Contra ou a favor de suas idéias, todos passam pelo Viany ao falar do assunto. Na crítica, a influência é indireta, já que o jornal não é perene como o livro."Viany começou como repórter e foi para Hollywood como correspondente da revista O Cruzeiro, então o veículo impresso de maior circulação no País, com 800 mil exemplares semanais num país que tinha 50 milhões de habitantes. Conviveu com grandes estrelas do cinema norte-americano, em seu período de ouro. Era a época em que estrelas ditavam comportamentos e a linguagem cinematográfica se firmava. De volta ao Brasil, já nos anos 50, passou à crítica influenciando várias gerações. Fez também os filmes que serão exibidos na Casa de Ruy Barbosa, com relativo sucesso de público e muitos elogios da crítica. Ao morrer, em 1992, deixou uma herança do cinema nacional que dura até hoje.A exposição de fotos mostra alguns desses momentos, especialmente a confraternização de Alex Viany com estrelas internacionais, como o ator e diretor Orson Welles e o galã Burt Lancaster. Há ainda encontros, no início dos anos 50, com os jovens que pouco depois criariam o Cinema Novo, que teve nele um crítico amoroso. A exposição e a mostra vão também inaugurar o novo projetos de 35 milímetros adquirido pela Casa de Ruy Barbosa, que pretende tornar freqüentes homenagens como esta.

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