Livro analisa o cinema brasileiro da retomada

O crítico de cinema Luiz Zanin Oricchio, editor do caderno Cultura, do Estado, acompanha há anos a trajetória da cinematografia nacional, especialmente o período denominado de retomada, ou seja, o início dos anos 90 quando a produção tomou novo fôlego depois da política cultural esterilizante do presidente Collor. Suas observações e reflexões foram reunidas no livro Cinema de Novo - Um Balanço Crítico da Retomada (Estação Liberdade, 256 páginas, R$ 36), que será lançado hoje, às 19 horas, no Espaço Unibanco de Cinema, acompanhado de um debate que vai unir, além do autor, o cineasta Fernando Meirelles, o escritor e roteirista Marçal Aquino e o empresário Adhemar Oliveira.O lançamento coincide com um momento determinante do cinema brasileiro, na observação de Zanin Oricchio: com Cidade de Deus, de Meirelles e Kátia Lund, chegou-se ao fim de um momento: "Daqui para frente é outra coisa e nenhuma atividade pode ficar se retomando a vida inteira", afirma ele, que interpreta o filme como emblema de uma tendência em formação, ou seja, uma obra que une diversas questões discutidas ao longo da década de 1990 e que se insere ao novo quadro de relações entre técnica, estética, cultura e política.Zanin Oricchio parte de um importante princípio: apesar de uma política culturalmente estranguladora no período Collor, a produção cinematográfica não se reduziu à escala zero, com alguns títulos sendo lançados e exibindo sinais, ainda que fraquíssimos, de uma produção. A promulgação da Lei do Audiovisual, que cria mecanismos de captação de recursos via renúncia fiscal, permite não apenas o reerguimento da produção como facilita a entrada em cena de novos cineastas que, durante esse primeiro período da retomada, vão dialogar com os mais experientes. Apesar das diferentes opções estéticas, um fator os une: a observação sobre as condições do Brasil."Debruçou-se sobre temas como o abismo de classes que compõe o perfil da sociedade brasileira, tentou compreender a história do País e examinou impasses da modernidade na estrutura das grandes cidades", escreve o autor, lembrando que, a partir dessa filtragem, surgiram novas formas de abordar as relações amorosas, além de ensaiar uma volta ao regionalismo.Zanin privilegiou filmes de ficção em sua análise, apesar de rápidas menções ao documentário. Interessa-lhe, na verdade, tratar da relação do cinema com o público. Desde o contato mais apaixonado, como em Carlota Joaquina (Carla Camurati), O Auto da Compadecida (Guel Arraes) e Central do Brasil (Walter Salles), até experiências mais ásperas, como abordar a questão social, especialmente a geografia da violência, na qual o crítico destaca O Invasor (Beto Brant) pela íntima relação entre estrutura social e violência. O aumento de produções do que já se convenciona chamar "cinema popular" (Lisbela e o Prisioneiro, em cartaz, é um exemplo, como O Filho de Maria, com o padre Marcelo, que estréia em outubro), além do plano de se instalar uma indústria cinematográfica, comprovam que a retomada finalmente cumpriu sua primeira fase.Cinema de Novo - Um Balanço Crítico da Retomada. De Luiz Zanin Oricchio. Editora Estação Liberdade. 256 páginas. R$ 36,00. Hoje, às 19 horas. Após a sessão de autógrafos, às 21h30, o autor participa de debate com Fernando Meirelles, Adhemar Oliveira e Marçal Aquino. Espaço Unibanco de Cinema. Rua Augusta, 1.475, tel. 3266-5115.

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