"Limite Vertical" é adrenalina pura

É um daqueles casos em que o trailer é melhor que o filme. Você, com certeza, viu o trailer de Limite Vertical, que estréia nesta sexta. É adrenalina pura. Se você tem medo de altura, é capaz de sofrer de vertigem. A cena em que o sujeito salta no abismo com as machadinhas nas mãos para tentar pendurar-se no penhasco em frente é demais. O filme tem tudo isso e muito mais. Só que esse mais é totalmente supérfluo. Veja Limite Vertical (o público vibrou na pré-estréia realizada no Hotel Maksoud, na semana passada), mas saiba que o melhor você já terá visto no trailer.Começa com a escalada de uma montanha nos EUA. Sobem o pai, alpinista veterano, e o casal de filhos. Ocorre uma tragédia que vai marcar os personagens. Corte para a atualidade. O filho, Peter Garret, interpretado por Chris O´Donnell, é fotógrafo da National Geographic. Sua irmã, Annie, segue a trilha do pai e é alpinista audaciosa. Ela é contratada para integrar a equipe com que um milionário quer escalar as montanhas K2 (o segundo pico mais alto do mundo). Dá tudo errado. O milionário é um monstro capaz de sacrificar tudo e todos aos seus objetivos. Força sua equipe a assumir riscos que são agravados pelo mau tempo.Três pessoas, entre elas o milionário e Annie, são soterrados por uma avalanche. Garret forma um grupo para salvar a irmã. É a sua forma de reconciliar-se consigo mesmo, após a tragédia do começo. Embora diferente no número, o grupo não é muito diferente daquele que Robert Aldrich formou em Os Doze Condenados. Um bando de celerados e desajustados. E uma mulher, o que aumenta a adrenalina de homens submetidos à pressão. Todos, Garret inclusive, submetidos à autoridade de um guia meio maluco que tem uma diferença a acertar com o milionário.Martin Campbell é o diretor. Você sabe quem é. Fez 007 contra Goldeneye, que assinalou a estréia de Pierce Brosnan no papel de James Bond, e A Espada do Zorro, com Antonio Banderas. Pena que Limite Vertical seja mais 007 do que Zorro.Há um show de efeitos - avalanches, explosões, personagens pendurados sobre o abismo. Mas, claro, ninguém é doido de achar que o filme foi mesmo rodado nas montanhas K2. Campbell e sua equipe preferiram instalar-se num monte gelado, e muito menos hostil, da Nova Zelândia. Normal, ninguém vai exigir sacrifícios de uma equipe cinematográfica que produz divertimento. O problema é que, como em 007, Campbell não pára nunca a ação para não deixar tempo ao espectador de perceber que o que está vendo é só mais um besteirol de ação.Não que o esforço humano na adversidade não seja um tema rico - é. Não que numa escalada de montanha não ocorram pelo menos alguns dos incidentes que o roteiro de "Limite Vertical" acumula para provocar emoções. O problema é de outra ordem. É o desfilar ininterrupto de clichês velhos, a despeito da nova roupagem. Hollywood não confia muito na inteligência do espectador médio. Tudo tem de ser mastigado por meio de cenas explicativas, nas quais a cada causa corresponde um efeito. Nada em aberto, nada ambivalente. Tudo amarradinho, demais até. Assim a situação triangular do começo vai se repetir várias vezes até o desfecho rigorosamente maniqueísta. Limite Vertical (Vertical Limit) - Ação. Direção de Martin Campbell. EUA/2000. Duração: 124 minutos. 12 anos.

Agencia Estado,

08 de fevereiro de 2001 | 16h15

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