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Lima Duarte fala sobre sua relação com o cineasta Manoel de Oliveira

Os dois trabalharam juntos nos filmes 'Espelho Mágico' e 'Utopia'

Amilton Pinheiro - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2015 | 12h19

O ator Lima Duarte trabalhou com diretor Manoel de Oliveira em duas ocasiões, nos filmes Palavra e Utopia (2000), em que fez o padre Antônio Vieira, na velhice, e no filme Espelho Mágico (2006), novamente fazendo um padre, agora ficcional. O incansável Manoel de Oliveira, que gostava dos personagens que o ator Lima Duarte fez nas novelas, da Globo, em especial o Zeca Diabo, de O Bem-Amado (1973), pretendia trabalhar novamente com ele no filme A Igreja do Diabo, baseado nos contos de Machado de Assis. 

Uma das locações de Palavra e Utopia, no Brasil, foi na Casa de São Cristovão, edificações antigas da Companhia de Jesus, conhecida também como Quinta do Tanque ou Quinta dos Padres, num subúrbio de Salvador, onde o padre Vieira fez alguns dos seus Sermões. O ator Lima Duarte guardou um momento, segundo ele, muito especial ao lado do velho Manoel.

"Nós estávamos filmando na Quinta do Tanque, em Salvador, umas cenas de Palavra e Utopia, onde o padre Antônio Vieira escreveu alguns dos seus Sermões. Lá o padre Vieira sofreu uma queda que futuramente iria resultar na amputação dos seus dois braços e pernas. Passamos o dia inteiro filmando lá, eu, Manoel, sua esposa Maria Isabel e a sua equipe. O Manoel e dona Isabel faziam um casalzinho bem simpático. A Quinta do Tanque ficava afastada de Salvador, lembro que foi um dia difícil de filmagens e o retorno para o hotel, em que estávamos hospedados, foi cansativo. Eu sempre ficava preocupado com a saúde de Manoel, que já tinha mais de 90 anos, quando realizamos o filme. Mas o homem parecia que não tinha tanta idade, era uma pessoa entusiasmada pela vida, pelo que fazia. Assim que chegamos no hotel, ele me chamou ´Oh, brazuca não vamos subir agora`, ele me chamava de brazuca, ´Vamos pedir que o pianista toque uma música'. Na recepção do hotel tinha um pianista. Ele foi lá e pediu para ele tocar uma valsa do [Johann] Strauss, e por sorte o pianista sabia tocar a peça. Ele pegou sua esposa pelo braço e começou a valsar no hall do hotel. Eu fiquei ali absorto olhando aquele homem extraordinário, um senhor de mais de 90 anos, que mesmo depois de um dia exaustivo de filmagens, tinha disposição para dançar com a esposa como se nada mais existisse além deles e daquela maravilhosa valsa de Strauss. Talvez seja um dos momentos mais bonitos que guardei ao lado desse homem de notório saber e de gestos tão simples".

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