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'Life' acompanha duas semanas da vida do mítico James Dean

Em entrevista ao ‘Estado’, o diretor Anton Gorbijn conta que aceitou fazer o filme mais pelo fotógrafo Dennis Stock do que pelo ícone jovem

Entrevista com

Anton Gorbijn

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO

05 Outubro 2015 | 06h00

ZURIQUE - Sessenta anos depois de sua morte, num acidente de carro em 30 de setembro de 1955, James Dean está mais vivo do que nunca. Em Life, Anton Corbijn foca em apenas duas semanas, quando o ator (vivido por Dane DeHaan) aceitou fazer algumas fotos para um jovem Dennis Stock (interpretado por Robert Pattinson). As imagens estariam entre as mais icônicas de Dean, que fez Vidas Amargas (1955), Juventude Transviada (1955) e Assim Caminha a Humanidade (1956). Corbijn, que ficou famoso por fotografar músicos, como a banda U2, falou com o Estado durante o 11º Festival de Zurique sobre James Dean, Robert Pattinson e fotografia.

Sendo um fotógrafo, essa história era mais sobre Dennis Stock ou James Dean?

Minha entrada no filme foi pelo fotógrafo. Inicialmente alguém me disse que era um filme sobre James Dean, e eu não estava interessado. Porque James Dean não significou tanto na minha vida. Nasci no mesmo ano em que ele morreu, numa ilha na Holanda. Meus pais nunca falaram de James Dean. Na ilha não havia cinema. Acredito que vi seus pôsteres quando já era adolescente. Em relação a Dennis Stock, conhecia algumas de suas fotos, mas não todo o seu trabalho, nem seu nome. Mas entendi a ideia da relação do fotógrafo e seu tema, especialmente se o tema está sob olhar público. 

A relação que Dennis Stock e James Dean tiveram foi parecida com a que você teve com alguns de seus fotografados?

Acredito que a maior parte das relações que tenho agora demoraram bem mais tempo para chegar ao mesmo nível. Só uma vez aconteceu uma identificação imediata. E eu achava que ele era meu amigo, e era, mas que só ia ser fotografado por mim, mas ele queria ser famoso. Então aprendi desde jovem como as coisas funcionam.

Aprendeu alguma coisa com seus fotografados?

Sempre! Conheci tantas pessoas incríveis, como Gerhard Richter, Miles Davis, Nelson Mandela, e ao passar um tempo em sua companhia é sempre possível tirar alguma coisa dali. Você espera levar alguma coisa para sua vida.

Você decidiu focar em apenas duas semanas. Por quê?

Acho que fica mais significativo. Você pode mostrar mais sobre a pessoa, em vez de contar a vida. 

O que descobriu sobre James Dean? Por que ele virou um ícone com apenas três filmes?

Gostaria de ter uma resposta para isso. Ele se tornou a voz de uma geração. Era rebelde – e bonito, o que ajuda, claro. 

O que queria dizer com o filme?

Como você pode ser afetado por outras pessoas e passar a ver as coisas de maneira diferente. Mas eu escolhi o título por causa da revista Life, claro. Também porque é apenas um encontro, como na vida. E outra razão foi a oposição à morte. Mesmo que nunca a mencionemos, todo o mundo sabe que ele morreu logo depois. Então fica mais dramático.

Dane DeHaan não é muito parecido fisicamente com James Dean. Por que o escolheu?

Espero que você assista ao filme e pense: obviamente tinha de ser ele! James Dean tem uma aparência muito específica. Todos sabemos como era seu rosto. Seria muito difícil encontrar um grande ator que se parecesse com ele. Talvez achasse um modelo. Então era preciso um ator capaz de fazer o público acreditar que ele é James Dean. Dane é esse tipo de ator. 

O que o interessou em Robert Pattinson?

Rob ficou muito famoso por causa de um personagem que as pessoas creem que só precisava ser bonito. Então ele está pegando todos esses papéis para provar que é ator, inclusive para si mesmo. Ele tem feito até mesmo filmes que não pagam bem. Já acho isso interessante nele. Também fiz um paralelo de ele ser um ator tentando provar seu valor com Dennis Stock, um fotógrafo tentando provar seu valor. E enxergo uma inquietação, um incômodo de Rob consigo mesmo. Para mim, Dennis Stock era isso também.

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