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'Líbano', de Samuel Maoz, conquista Leão de Ouro em Veneza

Longa mostra a dura realidade da segunda guerra do Líbano; filme era mesmo o favorito do Festival

Luiz Zanin Oricchio, de O Estado de S.Paulo,

12 de setembro de 2009 | 15h44

'Líbano', do israelense Samuel Maoz, venceu o Leão de Ouro em Veneza, um dos principais prêmios do cinema mundial. O filme mostra a dura realidade da segunda guerra do Líbano, tendo por ponto de vista quase único o interior de um tanque, no qual quatro soldados vivem seus dramas em contato com a violência. O filme era mesmo o favorito para vencer o prêmio principal. O Leão de Prata ficou com o iraniano Zanan Bedoone Mardan, que foi traduzido como Mulheres sem Homens e revela a dura realidade das mulheres no Irã, num filme histórico que evoca os anos 50, durante o regime do Xá. O Prêmio Especial do Júri foi para o divertido Soul Kitchen, do alemão de origem turca Fatih Akin, história de um rapaz que mantém um restaurante charmoso e precisa mantê-lo a qualquer custo.

 

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O prêmio de melhor ator foi para Colin Firth, em A Single Man, drama dirigido pelo estilista Tom Ford em sua primeira experiência no cinema. Trata-se da história de um homem que perde seu parceiro de 16 anos e não encontra rumo na vida. O filme foi aplaudido e consagrado pelo público e mesmo pelos jornalistas. Mas também houve contestações para a sua forma estilosa, com os atores vestindo roupas de grife em todas as situações. Se alguma unanimidade havia era quanto à interpretação de Colin, que realmente mereceu o prêmio.

 

Mais contestado foi o prêmio de melhor atriz, para Ksenia Rappoport em La Doppia Ora, um dos quatro filmes italianos em concurso. Pelo jeito era a maneira de premiar um italiano, que, nos últimos anos, prometem chegar à vitória mas sempre passam longe do Leão. Desta vez não foi diferente e o prêmio de atriz parece ter servido de consolação. O mesmo pode ser dito para o prêmio de revelação para Jasmine Trinca, em Il Grande Sogno, de Michele Placido, que evoca o ano rebelde de 1968 na Itália.

As outras premiações podem ser consideradas normais, como a Osella para melhor contribuição técnica para Sylvie Olivé pela cenografia de Mr. Nobody; e a Osella de melhor roteiro para Todd Solondz de Life During Wartime.

 

Há algumas ausências na premiação, a principal delas, o impactante Lola, do filipino Brillante Mendoza, que aliás ganhará uma retrospectiva bastante completa em São Paulo no próximo festival de cinema independente. Lola, que quer dizer "avó", conta a história dramática de duas senhoras de idade que, além da pobrez, têm um ponto em comum. São unidas por um crime, que o neto de uma delas cometeu e o neto de outra foi a vítima. A originalidade e o impacto mereciam uma lembrança melhor.

 

Por último, cabe lembrar que os brasileiros Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo e Insolação, que haviam participado da mostra Horizontes (Orizzonti) não foram premiados. Mas o fato de terem sido exibidos no quadro de um festival importante como Veneza já é digno de nota. Abaixo, a premiação completa da 66ª Mostra Internazionale d'Arte Cinematografica, que é o nome oficial do Festival de Veneza, o mais antigo do mundo.

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