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Liam Neeson se transforma em heroi em 'Desconhecido'

As respostas, dadas em momento propício, fazem do filme um suspense metido a hitchcockiano

REUTERS

24 de fevereiro de 2011 | 12h52

Em trânsito em Berlim para uma conferência, o botânico norte-americano Martin Harris (Liam Neeson) sofre um acidente de carro. Acorda num hospital dias depois, sem qualquer identificação.

Fica preocupado, pois sua mulher (January Jones) está sozinha na cidade, e nem sequer fala alemão. Quando a reencontra, no hotel onde o casal está hospedado, ela não o reconhece, e apresenta seu marido, Martin Harris, agora interpretado por Aidan Quinn. Se este é Martin Harris, quem é então o outro cara?

Desconhecido gira em torno dessa questão. O tal Harris, de Neeson, fará de tudo para provar que o outro Harris, de Quinn, é uma fraude. Mas, se ele é um sujeito tão comum -a penas um botânico bem conceituado -, por que alguém se passaria por ele? E mais: por que sua mulher participaria da farsa?

As respostas, dadas em momento propício, fazem de Desconhecido um suspense metido a hitchcockiano, mas que, ao contrário dos filmes do inglês, pouco tem de sutil. Excesso de explicações e suspensão da realidade transformam o longa de Jaume Collet-Serra (A Órfã) num passatempo insosso, sem grandes momentos ou criatividade.

Em sua jornada em busca da identidade, o suposto Harris conta com a ajuda de Gina (Diane Kruger, de Bastardos Inglórios), imigrante ilegal vinda da Bósnia que teve sua família exterminada e agora vive clandestina. Também conhece um ex-agente da polícia secreta da antiga Alemanha Orienta, a Stasi, vivido por Bruno Ganz (Asas do Desejo), que o ajuda a desvendar um passado um tanto obscuro.

Harris está em Berlim para participar de uma conferência ao lado de um cientista alemão chamado Bressler (Sebastian Koch, de A Vida dos Outros), que descobriu um supermilho, resistente a pragas e que não pretende cobrar os seus direitos sobre a invenção. Talvez ele pense em erradicar a fome do mundo com polenta, pamonha e curau.

Esse é só um dos elementos sem pé nem cabeça do filme, que inclui uma mala esquecida na porta de um aeroporto, que não é roubada nem explodida pela segurança, mas guardada na seção de achados e perdidos, e também o comportamento estranho da mulher de Harris.

Collet-Serra está mais interessado nas cenas de ação, perseguição de carros, tiroteios e explosões. O conteúdo humano fica bem de lado, com seus personagens planos e pouco interessantes. O filme é intrigante até sua metade, mas, ironicamente, torna-se frustrante à medida que começa a delinear sua solução.

Neeson, um bom ator (vide trabalhos como A Lista de Schindler), aos 59 anos está se tornando heroi de filmes de ação. Depois de trabalhos como Busca Implacável e Esquadrão Classe A, ele encontrou um novo nicho, que pouco explora suas possibilidades dramáticas - mas requer preparo físico. (Alysson Oliveira, do Cineweb)

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