Liam Neeson fala sobre o investigador que vive em 'Caçada Mortal'

Flme dirigido por Scott Frank e baseado no romance de Block

Entrevista com

Liam Neeson

Mariane Morisawa - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2014 | 16h00

ZURIQUE - Com Busca Implacável, Liam Neeson virou astro de ação, aos 55 anos de idade. Aos 62, prepara-se para o encerramento da trilogia, cujo último capítulo estreia em janeiro, e encarna um policial alcoólatra e traumatizado em Caçada Mortal. O filme, dirigido por Scott Frank e baseado no romance de Lawrence Block, foi exibido no 10º Festival de Zurique e tem lançamento previsto no Brasil para dezembro. 

Seu personagem, Matthew Scudder, que deixou a polícia e agora atua como investigador particular, é contratado por um traficante (Dan Stevens, de Downton Abbey) para descobrir quem sequestrou e matou sua mulher. O ator conversou com o Estado em Zurique:

Caçada Mortal é menos ação e mais thriller. Por que quis fazer?

Eu sempre gostei desses personagens solitários do cinema, com um pé do lado da justiça e outro no crime. Mas eles sempre têm um compasso moral. São um pouco torturados, são assombrados pelo passado. É muito atraente. Sempre foi, quando você pensa em Robert Mitchum, Steve McQueen, Clint Eastwood. Gostamos de torcer por esses heróis que subvertem o sistema.

Há muitos livros com o seu personagem em Caçada Mortal. Já assinou para fazer outros?

Em Hollywood é assim: se o filme conseguir uma bilheteria razoável, eles farão outro. Só dólares e centavos importam. Não tem nada a ver com a arte, com o amor pelo personagem. É um negócio. Dólares e centavos. Então, se ganhar dinheiro, vai ter outro. Eu adoraria fazer, falando artisticamente. Mas depende da bilheteria.

Isso afeta suas escolhas, que Hollywood é dinheiro, e você é um artista?

Não é um peso, mas não teria aceitado fazer esses filmes de ação se não achasse que eles tinham chance de ir bem, sabe? E quando me comprometo com esse tipo de filme, me comprometo 100%, tanto na produção quanto na divulgação. Não finjo que eles são o que não são. Mas Busca Implacável 3 vai ser o último. 

Você gostaria de fazer mais comédia?

Contanto que eu seja sério. Se eu tentar ser engraçado, não vou ser. Quanto mais sério, mais engraçado. Mas gostaria de fazer comédia, eu acho. Precisaria ter certeza de que ia funcionar. Não posso tentar ser Ricky Gervais ou Buster Keaton. 

Por que os filmes de ação são divertidos para você?

São divertidos de fazer! Trabalho com a mesma equipe, gostamos de bolar as lutas, fazê-las parecerem reais e novas. 

É verdade que você recusou o papel em Lincoln?

Não. Por muitos anos, eu ia fazer. O roteiro mudou muitas vezes, mudou de escritor. Steven (Spielberg) organizou uma leitura do roteiro. Quando abri a boca, percebi que tinha passado da minha data de validade. Foi muito claro para mim. Steven entendeu. Ficou tudo certo. Mas foi muito divertido pesquisar durante tantos anos, era um homem incrível, um período interessantíssimo, para todos nós, um homem que lutou pela ideia da democracia. 

Mas por que achou que tinha passado?

Não sei explicar. Senti que não era mais para mim. Mas Daniel Day-Lewis, que é meu amigo, fez um trabalho maravilhoso. Não tenho nenhum arrependimento.

Você vai trabalhar com Martin Scorsese, que também está desenvolvendo Silence há bastante tempo. Já está se preparando? 

Um pouquinho. É sobre a tentativa dos jesuítas de cristianizar o Japão no século 17, num período muito sangrento. Mas estou começando. Eles só precisam de mim em março.

Quando é um projeto assim, você pesquisa muito?

Sim, é preciso. Há muita coisa para pesquisar. Esse movimento jesuíta tem pessoas e personagens fenomenais. Ignácio de Loyola, que era um dos fundadores, tem uma história extraordinária. Era um mulherengo, um guerreiro e um nobre. Feriu-se em uma batalha, mas lutou tão bravamente que seus inimigos o levaram para a casa do pai para se recuperar. Imagine seu magnetismo! E ele se recuperou. Durante sua recuperação, ele leu as vidas dos santos e se converteu. Foi um homem incrível. 

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