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Levan Akin conta como a temática LGBTQ de ‘E Então Nós Dançamos’ virou motivo de contestação

O longa-metragem provocou protestos e até tumulto durante as filmagens na Geórgia

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2019 | 08h00

Quando conversou com a reportagem do Estado, pelo telefone, o diretor sueco de ascendência georgiana Levan Akin não colocava muita fé que seu longa E Então Nós Dançamos ficasse na shortlist de indicações para o Oscar de melhor filme internacional. Mas ele considerava toda a experiência enriquecedora. “Você conhece muitas pessoas interessantes, há muita troca de informação, e só o fato de estar pleiteando a indicação já abre portas para possíveis produções. Já tinha ouvido falar num efeito Oscar, e é verdade”, diz. 

O filme que estreia nesta quinta, 19, é sobre um jovem aspirante a integrar o Balé Nacional da Geórgia. O grupo não é apenas depositário de uma tradição de dança. É também responsável pela manutenção de valores tradicionais - a virilidade dos bailarinos está acima de qualquer discussão. Não há espaço para discussões de gêneros. Ou o cara é macho, ou está fora. Merab (Levan Gelbakhiani) tem um envolvimento com uma garota da companhia, mas logo chega um novo bailarino e inicia-se um tórrido romance gay. Embora tenha concorrido a uma indicação para o Oscar pela Suécia, E Então Nós Dançamos foi rodado na Geórgia.

Confira o trailer do filme


“Foi o primeiro filme de temática LGBTQ rodado no país, e não foi nada fácil. Tentamos conseguir apoio para a produção, mas tão logo souberam do nosso roteiro os dirigentes do Balé Nacional fizeram de tudo para complicar nossa vida. Houve pressão sobre nossos atores e bailarinos, foi preciso contratar seguranças.” O filme estreou na Quinzena dos Realizadores, em Cannes, com boas críticas. Em Tbilisi, a capital da Geórgia, foi diferente. “Houve protestos de manifestantes que gritavam ‘Vergonha’ e ‘Viva a Geórgia’. Chegaram a queimar bandeiras com a representação do arco-íris. Estão muito atrasados na questão dos direitos individuais e na discussão de gêneros.”

Akin esclareceu que a legislação antigay foi banida em 2000 e que os protestos de grupos de direita e da Igreja Ortodoxa - que considerou o filme uma afronta aos valores cristãos e familiares - não foram encampados pelo governo. Para ele, o filme é sobre tradição vs. modernidade, sobre o direito de ser e estar no mundo, “e isso é universal, ultrapassa rótulos”.

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