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Leonardo Di Caprio e Martin Scorsese em Wall Street

Ator e diretor falam falam sobre filme que retrata a ascensão e a queda de um corretor

Rafael Cañas , EFE

25 de dezembro de 2013 | 11h00

Martin Scorsese e Leonardo Di Caprio mostram o lado mais brutal de Wall Street no longa O Lobo de Wall Street, que estreou nos cinemas dos Estados Unidos e promete ser um dos filmes do ano.

Candidato a dois Globos de Ouro (melhor comédia e melhor ator de comédia), o filme “é um reflexo de tudo o que vai mal na sociedade”, segundo Di Caprio, em conversa com a imprensa para o lançamento do longa-metragem, do qual também é produtor – e que tem previsão de estreia no Brasil para o dia 24 de janeiro.

A trama conta a história real de Jordan Belfort, um arrivista que tira proveito da falta de regulação que havia em finais dos anos 80 e início dos 90 no setor financeiro para ganhar enormes quantias de dinheiro, com práticas a princípio duvidosas e depois abertamente ilegais.

Belfort e os jovens ambiciosos de sua empresa de corretores da bolsa se lançam a todo tipo de práticas sexuais, drogas, bacanais e caprichos extravagantes, em uma louca e desenfreada escalada hedonista sem limites nem preocupação com o futuro.

O protagonista “é uma espécia de Calígula moderno”, explica Di Caprio, que insiste que o filme é uma “descrição dos tempos em que vivemos”. O ator contou que, ao ler a biografia de Belfort, percebeu imediatamente que “estes eram os peixes grandes que estavam destruindo a economia”, em alusão à crise financeira de 2008 que, muito depois das estripulias de Belfort, ameaçou o mundo.

DiCaprio convenceu Scorsese a embarcar no projeto e explica que o filme é um “grande épico americano sobre a cobiça”, que narra tudo que acontecia nessa época, sem censura alguma. “Não escondemos nada”, afirma o ator, que nega o fato de que Jordan possa descrever coisas “que jamais poderíamos imaginar”. Segundo Di Caprio, o próprio Belfort lhe contou que há episódios ainda mais pesados que não foram incluídos em sua autobiografia.

De fato, apesar do tom veloz e de comédia, com narração em ‘off’ de Jordan, que comenta episódios que se tornam cada vez mais absurdos, O Lobo de Wall Street é um drama, tanto pelo processo de degradação por que passam os protagonistas quanto pelo marco legal e financeiro que tolera as falcatruas cometidas.

Este é o quinto trabalho conjunto de DiCaprio e Scorsese, parceiros em Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004), Os Infiltrados (2006) e Ilha do Medo (2010). “Trabalhar com Di Caprio me rejuvenesce”, diz o diretor de 71 anos, para quem o elemento-chave desta longa parceria é a confiança que ambos têm. Sobre o filme, Scorsese explica que encontrou uma “forma de encarar o assunto com outra perspectiva, diferentemente de outros filmes”, uma vez que, diante dos excessos do protagonista e seus seguidores, buscou se distanciar e “mostrar os fatos em perspectiva”, deixando que sejam os próprios personagens os que conduzem a narrativa. “Qual é a responsabilidade quando não há restrições morais? Acho que ainda não existe resposta”, acrescenta o diretor.

O roteiro de O Lobo de Wall Street é obra de Terence Winter, autor de seriados sobre a máfia, como Os Sopranos e Boardwalk Empire. Para ele, o longa-metragem, ainda que se passe em Wall Street, não deixa de pertencer a este gênero tão familiar a Scorsese, que tão bem o levou para a tela grande com o filme Os Bons Companheiros (1990).

Winter lembra, com certa ironia, que quando se descobriu a dimensão dos delitos de Belfort, o então presidente da Associação Nacional de Corretores da Bolsa de Valores (NASD) clamou de indignação e pediu que Belfort fosse condenado à prisão perpétua. O tal presidente era ninguém menos que Bernard Madoff, condenado em 2009 a 150 anos de prisão por criar a maior pirâmide financeira da história.

Financiamento. Assim a epopeia de Jordan Belfort, iniciada na época em que não havia regulamentação em Wall Street, fecha um círculo – e chega às telas quando os EUA parecem estar finalmente superando a crise financeira de 2008 e os novos excessos do mundo das finanças, apesar da existência de novas regulamentações.

O Lobo de Wall Street enfrentou muitos problemas para conseguir chegar às telas, uma vez que o primeiro estúdio a comprar os direitos da biografia de Belfort não conseguiu levantar o financiamento necessário para filmar uma história tão arriscada. Por conta disso, anos de negociações foram necessários até que os direitos fossem cedidos a uma produtora independente.

Talvez por isso, Scorsese reconhece que “oportunidades assim não aparecem com frequência no sistema dos grandes estúdios”. Para completar, a direção de fotografia do longa ficou a cargo do mexicano Rodrigo Pietro e a trilha sonora, muito bem cuidada, coube ao grande Robbie Robertson que, mais uma vez, cuida da música de um filme de Scorsese. A seu trabalho primoroso, Robertson combina o melhor do blues com sucessos europeus do período e até mesmo compositores barrocos, como é o caso de Henry Purcell.

História é baseada em biografia de personagem real

Jordan Belfort seria mais um dos típicos jovens e gananciosos corretores de Wall Street se não tivesse escrito a autobiografia que o lançou no hall de best-sellers, O Lobo de Wall Street (publicado no Brasil pela Planeta – 504 páginas, R$54,90). O livro conta a história deste jovem que, nos anos 90, ousou estar acima da lógica da economia, manipulando o mercado e. como resultado, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo, tão influente que até a máfia infiltrou homens em suas empresas para aprender com seus métodos. Não por acaso ele era chamado de O Lobo de Wall Street. Uma história verídica e, ao mesmo tempo, surreal, escrita com humor e intimismo graças ao tom de conversa que o autor imprime a suas memórias. Belfort relata sua ascensão e previsível queda. Como fundador e diretor da Stratton Oakmont, empresa de investimentos, ganhou milhões de dólares, mas seu estilo de vida megalomaníaco – com direito a todos os clichês da ‘vida de luxo’, como iates, noitadas, drogas e viagens – consumia aos poucos a sua fortuna.

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