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Leonard Nimoy era único e era múltiplo

Ator morreu aos 83 anos em sua casa em Los Angeles

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2015 | 15h22

Leonard Nimoy era único e era múltiplo. Ator, diretor, poeta, pintor e fotógrafo, exercitou-se em diversas mídias, mas no imaginário do público será sempre o vulcano dr. Spock, da série Star Trek/Jornada nas Estrelas. Nimoy fez a passagem da série da TV para o cinema. Dirigiu episódios que estão entre os melhores. Mas detestava ser identificado com seu personagem e, por volta de 1970, chegou a escrever um livro autobiográfico - I Am not Spock/Não Sou Spock. Continuou sendo, mas diversificou a carreira e a atividade.

Poetou, interpretou filmes de outros diretores, dirigiu comédias, até românticas. Há tempos ele vinha sofrendo de complicações pulmonares, consequência de ter sido um fumante compulsivo. Desde a semana passada, circulavam rumores de sua morte. O próprio Nimoy chegou a desmenti-los no Twitter, mas nesta sexta, 27, sua mulher, agora viúva, Suzanne, fez o anúncio. Ele perdeu a batalha contra a doença pulmonar e morreu em sua casa de Bel Air, em Los Angeles, aos 83 anos. Deixara de fumar há 30, mas já era tarde. “Parem logo”, foi seu último conselho aos tabagistas.

Na derradeira mensagem, Nimoy despedira-se na rede social com a sigla LLAP, Live long and prosper/Vida longa e prosperidade, a tradicional saudação de Spock em Jornada nas Estrelas. Nascido em Boston, Massachusetts, em 26 de março de 1931, Nimoy participou do episódio O Gorila, da série Bonanza, dirigido por James P. Yarbrough, em dezembro de 1960. Além do destaque que adquiriu com Jornada nas Estrelas, também atuou na série clássica Missão: Impossível, nas temporadas de 1969-1971 e fez um episódio da primeira temporada de Agente 86.

Na franquia Star Trek, dirigiu no cinema Jornada nas Estrelas 3 - A Procura de Spock, e o 4, A Volta para a Terra. Seus outros longas como diretor - Três Solteirões e Um Bebê, o remake hollywoodiano de Três Homens e Um Bebê, da francesa Coline Serreau, e mais O Preço da Paixão, As Coisas Engraçadas do Amor e Santo Matrimônio, a última com Patricia Arquette, que acaba de ganhar o Oscar de coadjuvante por Boyhood - Da Infância à Juventude, de Richard Linklater.

Até pelos títulos, dá para perceber que temas como amor, família e relacionamentos eram os que mais interessavam a Nimoy, como diretor. Talvez por ter criado uma imagem muito forte ligado a um personagem de ficção científica, muito do que ele fez depois buscava marcar a passagem para o mundo real, das pessoas comuns. 

Um bom exemplo disso foi fornecido por O Preço da Paixão, de 1988. Diane Keaton - ótima - fazia a divorciada que, pela primeira vez na vida, sentia a excitação do amor e do sexo, negligenciando a filha. O caso ia parar no tribunal. Conta a lenda que Nimoy e William Shatner, que fazia o capitão Kirk, da Enterprise, mantiveram toda a vida uma forte rivalidade, cada um se considerando o responsável pelo sucesso da série. Eram os dois. A série foi repaginada por JJ Abrams, ganhou novo elenco, mas Nimoy (e Shatner) permanecem na lembrança. 

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