Lenda mongol inspira "O Estado do Cão"

A sinopse de O Estado do Cão denuncia o caráter peculiar do filme dirigido pelo belga Peter Brosens e o mongol Dorjkhandyn Turmunkh: cachorro morto se recusa a reencarnar como homem. Para chegar a essa produção desconcertante - metade ficção, metade documentário -, a dupla se inspirou em lenda da Mongólia que propõe uma poética meditação sobre a existência.A ação se desenrola em Ulan Bator a partir da morte de Baasar, um vira-lata atingido por caçador profissional contratado pelo governo para abater os animais. A situação não é fictícia, à medida que a matança é legal no país, onde cerca de 120 mil cães perambulam pelas ruas da capital .Baseado na lenda mongol, em que todo cão volta como homem na próxima reencarnação, o filme retrata a angústia da existência (seja ela humana ou canina). Baasar sabe que deverá reencarnar como homem, mas se recusa a tomar a forma daquele ser que lhe tirou a vida.Durante o processo em que a alma do cachorro vaga pelas ruas, lembrando os bons tempos como cão pastor e depois a dor de ter sido abandonado pelo dono, Baasar deixa transparecer que perdeu a confiança na humanidade. Mesmo assim, ele não consegue resistir quando conhece a jovem grávida do bebê que ganhará a sua alma.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.