Leia trechos da peça de Friederich Hölderlin

1º Ato - Cena 6 (trecho)Personagens: Empédocle e CrítiasCrítiasO que está acontecendo?EmpédoclesTu também me persegues ?CrítiasPor que me perguntas ?EmpédoclesSei muito bem ! Querias me odiar, porém não me odeias: tu me temes somente; tu nada tens a temer.CrítiasTudo passou. Que queres ainda ?EmpédoclesNem mesmo tu poderias jamais imaginar, que o sacerdote te submetesse a sua vontade, não te acuses a ti mesmo; oh ! se só uma palavra sincera tivesses dito em seu favor ! porém temeste o povo.CrítiasIsto é tudo o que tinhas a dizer-me ? A tagarelice supérflua sempre te agradou.EmpédoclesOh ! Seja mais doce ao falar, eu salvei tua filha.CrítiasÉ verdade, tu o fizeste.EmpédoclesTu te insurges e tens vergonha de falar com aquele que a pátria amaldiçoou; assim creio. Pensas então que é minha sombra que fala e que regressa, honrada, da terra serena da paz...CrítiasEu não teria vindo quando me chamaste se o povo não quisesse saber o que ainda terias a dizer.EmpédoclesO que eu tenho de te dizer nada concerne ao povo.CrítiasO que é então ?EmpédoclesDeves abandonar este país; falo isto para o bem de tua filha.CrítiasPensas em ti e não te preocupas com os demais.EmpédoclesTu não a conheces ? Não tens consciência de que é muito melhor que se arruine uma cidade cheia de insensatos do que um só ser perfeito ? 2º Ato - Cena 2 (integral)Personagens: Empédocle, Pausânias e um camponêsCamponêsQue quereis vós ? Por ali desce a estrada.PausâniasConceda-nos asilo em tua casa, e não te assustes com nosso aspecto, bom homem. Pois difícil é nosso caminho e freqüentemente o sofredor parece suspeito. Oxalá. os deuses te digam que espécie de gente somos.CamponêsSe vê que antes as coisas já lhes foram melhores; eu quero crer. Porém a cidade não está longe; é certo que lá haveis de ter um hóspede amigo. Melhor seria ir a ele que à gente estranha.PausâniasAí de mim ! O hóspede amigo teria facilmente vergonha de ver-nos chegar a sua casa neste infortúnio. E o estrangeiro não nos dará, em vão, o pouco que pediremos.CamponêsDe onde vindes ?PausâniasDe que adianta saber ? Nós damos ouro e tu nos albergas.CamponêsSeguramente o ouro abre mais de uma porta, mas não a minha.PausâniasO que é isto ? Dá-nos o pão e vinho e exija o que tu queres.CamponêsMelhor encontraríeis isto em outro lugar.PausâniasOh, isto é duro ! Porém tu darás, talvez, um pouco de pano, para que eu envolva os pés deste homem, eles sangram por causa da senda do penhasco, oh, veja somente! É o bom espírito da Sicília e melhor que vossos príncipes! E está aqui diante de tua porta, pálido de desgosto e mendiga a sombra de tua cabana e um pedaço de pão; negas a ele? E morrendo de fadiga e sedento como está, o deixará de fora neste dia em que os animais selvagens se refugiam na cova por causa do sol abrasador?CamponêsEu vos conheço! Oh desgraça! É o maldito de Agrigento. Eu percebi logo. Fora daqui!PausâniasPelo deus trovejante! Fora não! que faças deste homem tua responsabilidade, amigo sagrado! Entretanto eu vou procurar comida. Descanse embaixo desta árvore ... e escutas! Se lhe acontecer algum mal, qualquer que seja, virei à noite e queimarei antes que tu penses nisto, tua morada de palha. Pensa bem!

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