Leia entrevista com Adam Sandler, o astro de Click

Maio, Hotel Four Seasons, Los Angeles, tarde de entrevistas da equipe do filme "Click" para a imprensa mundial. A repórter do Estado, ao sair do elevador no andar em que a entrevista ocorreria, tropeça em um homem deitado no chão, no corredor do hotel. Ela pede desculpa. Ele pergunta: Precisa de alguma coisa. Ela diz: Preciso passar. Ele retruca: Ah! Ok. Porque se você precisasse saber onde é a entrevista, ela é por ali. O homem era o ator Adam Sandler, protagonista de "Click", comédia que estréia hoje no Brasil. Ao ser questionado por que estava deitado em pleno chão no momento em que deveria estar recebendo a imprensa, o ator norte-americano explica: ?É que coletivas de imprensa sempre me deixam nervoso. Deito no chão para relaxar. Eu já estou indo.? Sandler é assim. No melhor estilo despachado. O maior fenômeno da comédia norte-americana dos últimos anos faz questão de ser como a grande maioria de seus personagens: um cara legal, sem frescura, um cara que poderia estar em qualquer esquina. Mas que está nas telas do mundo todo com esta sua mais recente comédia sobre um arquiteto que, sobrecarregado com o trabalho e sem tempo para a família, decide comprar um controle remoto universal para facilitar seu dia-a-dia em casa. Casa, aliás, em que ele é quase um estranho. Mal consegue tempo para seus dois filhos lindos, sua mulher quase perfeita (uma deslumbrante Kate Backinsale, de "Pearl Harbour") e seus pais adoráveis. Ele decide entrar em uma loja de departamentos (uma grande cadeia americana): Bad, Bath & Beyond. Além de produtos para cama mesa e banho, a loja oferece um ?além?. E ele encontra nos fundos do lugar, um cientista (Christopher Walken) maluco que lhe dá de presente um controle remoto especial. Sandler ainda não sabe, mas sai do lugar com um poderoso aparelho, capaz de parar, avançar, acelerar o tempo, pular episódios desagradáveis, paralisar momentos inesquecíveis e fazê-lo reviver outros. Genial. Perfeito. Até o momento em que, em uma metáfora óbvia, Sandler percebe que está perdendo tempo precioso de sua vida comum. É aí que as tiradas escrachadas, que tornaram o ator famoso no mundo todo por comédias como "O Paizão", dão lugar a um clima de drama, no estilo ?aproveite o que a vida tem de bom enquanto é tempo? ou ?a família acima de tudo?. O tom de lição tira um pouco do brilho do filme. Mas não chega a ofuscar o talento de Sandler para viver tipos comuns, ?gente boa?, engraçados e inteligentes. Como o próprio ator que, ao fim da entrevista coletiva, conversou com a reportagem do Estado e disse: ?Eu sou louco para ir ao Brasil. o Rob (Schneider, amigo e parceiro do ator em vários filmes, que esteve no Festival do Rio de 2005 divulgando o filme "Gigolô por Acidente") me disse que é um País incrível. Tenho vários amigos brasileiros também. Quem sabe apareço por lá ainda neste ano.? Pelo sucesso que também faz por aqui, Sandler, que nasceu em Nova York e ganhou fama com suas performances hilárias no já clássico "Saturday Night Live" (no Brasil, exibido na Sony), vai precisar de muito relaxamento para lidar com os fãs brasileiros. A seguir, trechos da entrevista concedida pela atriz Kate Backinsale, o diretor Frank Coraci (que é amigo de infância de Sandler) e Adam Sandler. Você, que é casado e acabou de ganhar uma filha, identifica-se com o personagem? Adam Sandler>: Eu adorei a premissa do filme. A vida às vezes sai mesmo de controle. A gente tem que lembrar de sempre priorizar a família e outras coisas importantes, mas, às vezes não consegue e se sente culpado. Minha Mulher joga isso sempre na minha cara agora. Ela diz: Tá vendo você ensinou isso pra todo mundo e não faz igual. E quanto a seu filme? E eu digo "Sim, querida".Como é trabalhar entre amigos?Sandler: Somos amigos ha muito tempo, ele me faz rir há muito tempo. Somos uma grande família e esse filme é sobre família. Kate é um novo membro, mas conhecemos as pessoas há muito tempo e é muito fácil ficar à vontade quando você conhece as pessoas assim. E como foi pra vc fazer comëdia, Kate?Kate: Foi ótimo fazer comédia. Eu comecei minha carreira com comédia, na Inglaterra. Mas não fiz algo que teve sucesso suficiente pra vocês terem visto.(risos) A última vez que fiz não foi algo de mainstream, alguns anos atrás. Foi ótimo.Você acha que às vezes a gente acelera nossas vidas?Kate: Sou uma mãe trabalhadora, então, não durmo há oito anos. (risos). Não durmo o quanto deveria. Fico muito tempo acordada. Gosto de ter um celular e tudo o mais. Mas é chato quando todo mundo está o tempo todo disponível. A correria toda... Acho que todos devemos diminuir o ritmo um pouco: stop and smell the Roses (parar e sentir o perfume das rosas). Sandler: Kate realmente faz isso na vida real. Volta e meia a filha dela está no set de filmagens depois da escola, brincando com a gente. Ontem ela fez um desenho de mim. Desenhou um ovo e disse que era eu. Kate: Acho que ela está apaixonada por Adam. A gente estava no banho ontem e eu perguntei por que ela fez isso. Ela disse: porque eu odeio ele. Eu disse Por que você odeia ele? Porque a cabeça dele é como a de um ovo.Você acha que pode criar sua própria realidade?Coraci: Claro, acho que a gente pode olhar tudo de um jeito melhor e tentar fazer nossas vidas melhores. No nosso país, estamos sempre querendo estar à frente de tudo, mas acho que aqui e no mundo todo as pessoas têm que dar um tempo pra aproveitar o que têm. Kate: Acho que pego o exemplo do Adam. Ele está sempre vendo o lado bom de tudo. Eu sei que ele finge ser um retardado na maior parte do tempo. Mas quando você convive com ele percebe que ele se cerca de pessoas ótimas. A atmosfera é sempre positiva. É bom ver alguém criando sua realidade como ele faz. Foi uma experiência tão boa. A mãe dele deve ter muito orgulho, ela fez um bom trabalho. Ele é como ele é o tempo todo.Sandler: É a coisa mais linda que alguém já disse sobre mim. Mas tenho uma história. Ontem, no jantar, eu gritei com a minha mãe. E nunca fiz isso. Como foi trabalhar com crianças no set? lembraram de como é em casa?Kate: Eu fiquei realmente preocupada, achando que minha filha ia achar ruim que outras crianças estavam representando meus filhos. Mas eles ficaram muito íntimos. Eles ficaram brincando no meu trailer bastante. Adam é muito divertido. Sandler: Eles nos abraçavam. São as crianças mais doces. Ótimos atores. Eu ficava feliz toda vez que os via. Ficamos muito íntimos deles. O garoto malvado é o mais doce do mundo. Naquela cena em que eu posso por cima do brinquedo dele (cachorro), Frank parou e disse "finja q vc tá mesmo muito triste" e ele abriu a boca pra chorar.... nem tanto!Coraci: eram os atores mais fáceis pra se trabalhar.E como é na sua casa com o controle remoto, Adam?Sandler: Estou casado há oito anos e tive o controle remoto por sete. Este ano experimentei dar o controle pra ela e foi o pior ano da minha vida. Vi porcarias que nunca quis ver. Vocês gostaram de parecer velhos?Sandler: Kate ficou muito bem como uma mulher mais velha. Fico ótimo com qualquer idade. Gostei de ser gordo, velho... É ótimo ser eu mesmo. Eu levanto de manhã e penso: Deus, sou talentoso, tenho esse sorriso estonteante, o formato da minha cabeça é meio esquisito, mas tem o cabelo e o chapéu pra esconder...E sou muito rico (risos)Kate: Você ficou com um ar meio George Bush. ma coisa meio estranha. Mas tinha algo de sexy quando você botou aquele smoking. Eu não amei, não. E as sessões de maquiagem são terríveis, as pessoas colando as sombrancelhas juntas... Não consigo ficar parada por muito tempo. Seis horas. E ainda por cima parecer-se como sua mãe logo de manhã. É um momento um tanto existencial. e eles realmente tiraram fotos da minha mãe para fazer a caracterização. Para que época você voltaria se pudesse no tempo?Sandler: Iria, no máximo, para século quando começaram a usar roupas. Para quando se andava pelado, não. Coraci: Para o futuro, para comprar tecnologiaKate: Iria para Woodstock.E quanto à carga de drama no filme?Coraci: Acho que as pessoas vão para o cinema para rir e ver coisas que eles podem se identificar. Problemas da vida normal... Então, adicionar um nível de emoção no final. Foi uma escolha nossa, sempre com um olhar positivo para as coisas.

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