Leia crítica de 'Pachamama', de Eryk Rocha

'Registro rápido, intenso, aberto aos acasos do caminho (a Amazônia), dão um agradável frescor à obra'

Luiz Zanin Oricchio, de O Estado de S. Paulo,

25 Fevereiro 2010 | 16h55

Em Pachamama, o espectador se vê capturado pelo sentido de invenção. É obra que se vai construindo à medida que o diretor penetra uma realidade que, de origem, não é a sua. Apesar de Eryk se dizer familiar com o continente latino-americano, pode-se supor que essa imersão nos grotões também tenha sido surpresa para ele. Seria para qualquer um, até porque parecemos sempre virados de costas para os nossos vizinhos. São eles, para nós, os povos mais estranhos da Terra, mais que europeus, muito mais que americanos do Norte.

 

Pachamama é um típico filme beneficiado pelas novas tecnologias. Hoje, o cineasta pode sair a campo munido de sua câmera digital, que funciona como uma caderneta de anotações audiovisuais. Pode-se filmar como os antigos viajantes tomavam notas por escrito ou fotografavam. Esse registro rápido, intenso, aberto aos acasos do caminho, dão um agradável frescor à obra. Por sorte, ou melhor, por sabedoria, esse caráter provisório, inacabado, não se perdeu na montagem, que às vezes sugere uma completude inexistente. E também não perdeu o viés político pois, ainda hoje, basta olhar a América Latina para enxergar as suas "veias abertas", segundo a expressão de Eduardo Galeano.

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