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Lei de Murphy à brasileira

Em uma noite, tudo dará errado, no pior momento e da pior forma possível

10 de novembro de 2011 | 22h02

Em Amanhã Nunca Mais, filme que estreia hoje, Walter (interpretado por Lázaro Ramos) é um anestesista que trabalha num hospital público da zona leste de São Paulo. Walter é um rapaz passivo, incapaz de dizer a palavra 'não'. "O trabalho como anestesista ajuda a formar o estereótipo do personagem. Enquanto ele faz as pessoas dormirem com a anestesia, o próprio personagem se torna uma pessoa passiva", explica o diretor Tadeu Jungle.

No dia do aniversário da filha, Walter diz à mulher que irá buscar o bolo da festa. O roteiro, simplório, abrange a saída do personagem do trabalho e o percurso feito por ele de carro até a confeitaria, e então até sua casa. E a simples tarefa se torna um verdadeiro martírio justamente por essa condição do anestesista. Numa mistura de humor e drama, o diretor cria uma comédia de absurdos, com bons momentos mas sem gênero específico. Ou seja, ao mesmo tempo em que diverte, o filme se alonga demais em passagens dramáticas. Certamente a maioria dos espectadores passará o filme aflito com a condição de Walter, mais do que se divertindo com a desgraça alheia.

Além de Lázaro, o elenco conta com Fernanda Machado (Tropa de Elite, 2007), que interpreta a mulher de Walter. Maria Luísa Mendonça também está no filme como a surreal amiga de infância judia do protagonista. Milhem Cortaz (também de Tropa), dá vida ao colega de trabalho. Paula Braun e Luis Miranda são coadjuvantes. "Escolhi Fernanda Machado para o papel de mulher de Walter porque ela tem uma beleza comum. Eu queria uma mulher bonita, mas que fosse capaz de interpretar uma dona de casa", diz Jungle. "Ela é uma mulher jovem que cuida da filha e da casa, abdicando de mil coisas da vida por aquela união", explica a atriz. "Interpretamos um casal possível, que existe em muitos lares do Brasil. A minha mãe foi um pouco essa mulher", completa.

Mesmo com papéis pequenos, Paula Braun e Luis Miranda se destacam. Paula interpreta dois personagens. Ela é a enfermeira assistente de Walter e depois, aparece como um travesti. "Poucas pessoas percebem que eu já tinha aparecido antes", diz Paula. O diretor explica que escolheu utilizar a mesma atriz para criar no espectador uma confusão mental. "Quando Walter olha para o travesti e vê a semelhança com sua assistente, ele fica ainda mais perturbado", diz Jungle. Já Luis Miranda tem participação marcante. Ele é um motoboy que é atropelado por Walter. "Foi fácil. Só tive de ficar no chão gritando de dor e xingando um monte", brincou o ator.

Dentre muitas passagens surreais dessa trama, talvez a mais trágica delas seja o casamento judeu em que Walter vai parar após se envolver com uma amiga de infância. "Um dos nossos roteiristas era judeu e deu a sugestão da festa. Achei que ajudaria a compor essa loucura da vida do Walter", conta o diretor. Maria Luísa, a amiga, completa: "Sinceramente, eu não sei dizer se Walter conhece ou não minha personagem. Eu acho que ela é louca e o confundiu com alguém."

É justamente a sucessão de situações insólitas do longa que o confere potencial para divertir o espectador, que bem pode sair incomodado com essa história. Ainda mais porque nada disso aconteceria, se Walter simplesmente dissesse não.

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