"Latitude Zero" convence platéia do Cine Ceará

A terceira noite de competição do Cine Ceará teve a participação de Latitude Zero, de Toni Venturi, filme que já havia participado dos festivais de Brasília e do Recife, entre os nacionais. No Ceará encontrou um público que acompanhou com atenção a trama árdua e aplaudiu no fim. É candidato a prêmios, inclusive pelo fato de ser protagonizado por Claudio Jaborandi, um filho da terra.Latitude Zero é exemplo de como um artista pode procurar voluntariamente a dificuldade. Venturi trabalha com apenas dois personagens - vividos por Débora Duboc e - num espaço exíguo e numa situação-limite. A rarefação de elementos, acredita o realizador, poderia concentrar a dramaticidade do enredo. Neste, tem-se um lugar inóspito, um desses bares-hotéis em beira de estrada, que caíram no esquecimento com a extinção de um garimpo das redondezas. Nele mora uma mulher solitária, Lena, que está grávida. O outro personagem é um militar, Vilela (Jaborandi), que chega ao local porque tem problemas com a polícia na cidade. Foi mandado para lá por seu superior, que é justamente o pai da criança que vai nascer. Este, Mattos, é um personagem virtual, que nunca aparece na tela.Latitude Zero, até por sua concepção dramática, é um filme difícil para o público. A situação é exasperada e o clima fica mais tenso ainda em seqüências quase insuportáveis como aquela em que a mulher, ferida e cheia de desejo, se masturba compulsivamente. Ou naquela em que Lena, abandonada, destrói minuciosamente a casa onde mora, lembrando a seqüência famosa de Cidadão Kane. Débora Duboc mantém a interpretação em nível paroxístico, talvez um ou dois tons acima do registro ideal. Se a teatralidade da ambientação chega a incomodar, não se pode negar o esforço e a concentração dramática conseguidas. Latitude Zero representa um esforço de radicalidade temática. Esse tipo de proposta tende a gerar resistências, o que deve ser esperado por quem resolve embarcar nessa.

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