Latinos intensos e belos no Cine Ceará

Dois filmes intensos e problemáticos marcaram a noite de domingo no Cine Ceará - o mexicano Ao Outro Lado, de Natália Almada, e o equatoriano El Comité, de Mateo Herrera. O primeiro, ao menos, alivia ao adicionar a nota cômica ao tema da passagem de imigrantes clandestinos do México pela fronteira dos Estados Unidos. O segundo não dá um momento de trégua ao espectador, mostrando-lhe a sórdida realidade de um cárcere em Quito. Diferentes entre si, são dois belos documentários, ambos realizados com técnica digital.Ao Outro Lado revela por dentro a expectativa dos mexicanos pobres em fazer fortuna "do outro lado", ou seja, na terra da promissão americana. Há toda uma cultura envolvendo essa atração que o vizinho rico exerce sobre o pobre, com canções, heróis e vilões, como os "coiotes", que ajudam os imigrantes ilegais a cruzar a fronteira. Floresce toda uma cultura da contravenção, pois ao lado de gente que simplesmente deseja um futuro melhor, há também toda a sorte de aproveitadores e criminosos, que querem mesmo é passar drogas pela fronteira americana. Nesse sentido, é curioso constatar a existência de uma espécie de canção bandida, o "corrido" que faz a apologia do crime e tem no já falecido Chalino seu herói e guia.Já El Comité (que lembra o brasileiro O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento) esmiúça o cotidiano na cadeia. Tem seu ponto alto numa tensa negociação entre os detentos e as autoridades carcerárias durante uma rebelião. O estilo é o da urgência, num processo de registro quase não editado. A realidade bruta parece brotar da tela. O repórter viajou a convite da organização do festival

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