Tobias Schwarz/ Reuters
Tobias Schwarz/ Reuters

Lars von Trier volta a Cannes e filme 'maldito' de Terry Gilliam encerra o festival

Premiação terá início em 8 de maio

AFP

05 Maio 2018 | 15h59

Sete anos depois do escândalo que provocou em Cannes, o diretor dinamarquês Lars von Trier apresentará foram de competição The House that Jack Built, anunciou o festival, que terá como filme de encerramento The Man Who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam.

Ao anunciar o retorno do polêmico Lars von Trier, que afirmou durante o evento em 2011 que tinha "simpatia" por Hitler, o festival se limitou a transmitir a decisão da direção.

"Pierre Lescure, presidente do Festival, e seu conselho de administração decidiram acolher o retorno do diretor dinamarquês Lars von Trier, Palma de Ouro de 2000, na mostra oficial. Seu novo filme será exibido fora de competição", afirma um comunicado.

Em 2011, após as declarações polêmicas, e apesar de um pedido de desculpas, Lars von Trier foi declarado persona non grata na Croisette, uma punição sem precedentes.

Seu filme Melancolía permaneceu na competição e rendeu o prêmio de melhor atriz para a americana Kirsten Dunst.

Desde então, o dinamarquês, que venceu a Palma de Ouro no ano 2000 por Dançando no Escuro, não retornava à mostra.

"Pierre Lescure trabalhou muito nos últimos dias para tentar retirar o status de persona non grata" do dinamarquês, revelou na quarta-feira Thierry Frémaux, diretor geral do festival.

The House That Jack Built, com Matt Dillon e Uma Thurman, conta a história de um serial killer.

Além disso, a mostra paralela Um Certo Olhar anunciou a inclusão do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, do português João Salaviza e da brasileira Renée Nader Messora.

A organização do evento também anunciou que o filme de encerramento da mostra será The Man Who Killed Don Quixote, filme em que o diretor americano Terry Gilliam trabalha há quase 20 anos.

O longa-metragem, considerado por muitos um projeto 'maldito', começou a ser rodado em 2000 e quase não teve a possibilidade de estrear devido a um conflito com o produtor português Paulo Branco.

Branco que comprou seus direitos de autor-diretor através de sua empresa Alfama Films. Em troca,tinha se comprometido, entre outras coisas, a manter a data da filmagem em outubro de 2016 e a respeitar as decisões artísticas de Gilliam.

Mas durante a pré-produção, os muitos desacordos entre ambos levaram o produtor a suspender o início das filmagens.

Gilliam então procurou a produtora espanhola Tornasol, e com ela filmou o longa-metragem entre março e junho de 2017, na Espanha e Portugal.

O diretor lançou um procedimento ante a Justiça francesa para anular o contrato de cessão de seus direitos em favor de Branco.

Mas em 19 de maio de 2017, um tribunal de Paris se pronunciou em primeira instância em favor do produtor, embora tenha rejeitado seu pedido de parar as filmagens.

"Suas petições são ridículas. Tenta arrecadar o máximo com um filme que não produziu", declarou Gilliam à imprensa, afirmando que Branco lhe pede uma compensação de 3,5 milhões de euros.

Este episódio judicial prolonga um pouco mais a "maldição" que atinge há quase duas décadas O homem que matou Dom Quixote.

Em 2000, Gilliam teve que interromper a filmagem de sua adaptação livre da célebre obra de Miguel de Cervantes, com Jean Rochefort, Johnny Depp e Vanessa Paradis, devido a uma série de infortúnios, como inundações no set de gravação e uma hérnia de disco sofrida pelo já falecido ator francês.

Ele tentou ressuscitar o projeto em várias ocasiões, deparando-se com a falta de financiamento, até conseguir filmar o longa no ano passado.

 

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