Lars von Trier fará novo filme seguindo o Dogma

Após um período de crise criativa, o diretor de cinema dinamarquês Lars von Trier prepara um filme que se enquadra novamente no movimento Dogma, segundo a revista londrina de lazer Time Out.O cineasta reconhece em entrevista que a crise o obrigou a adiar uma idéia que tinha para encerrar a trilogia sobre os Estados Unidos que começou em 2003 com Dogville e continuou com Manderlay, que estréia neste ano. Este terceiro filme adiado, em que estava trabalhando há seis meses, será chamado Wasington (sic). Von Trier confessa ter tomado o mesmo remédio que recomenda a outros diretores que vão até ele em busca de inspiração. "Digo que tomem um comprimido de Dogma, que relaxem e ninguém esperará nada deles. E funciona. Portanto eu estou tomando este mesmo comprimido de Dogma", garante. O movimento Dogma, criado em 1995 por Von Trier e seu colega e compatriota Thomas Vinterberg, defende um cinema sem artifícios técnicos, marcado por regras como a renúncia à iluminação especial na filmagem, o uso exclusivo de som direto, a filmagem com câmera na mão e a rejeição a qualquer efeito especial. Embora o roteiro ainda não esteja terminado, o novo filme de Von Trier levará o título de The Boss ou The Chairman, informou à revista sua produtora Vibeke Windelov. O cineasta fala na entrevista de Manderlay, apresentado em Cannes em maio e que, contrariamente ao que costuma ocorrer com suas histórias, não suscitou polêmica apesar dos temas de que trata: o racismo e a escravidão. Von Trier considera que o motivo é que, "para a maior parte da Europa, o filme é politicamente correto, de um modo que, tenho certeza, não o é na América, pois permite que pessoas negras sejam burras e se comportem como gente normal". "A escravidão é uma ferida muito aberta", acrescenta. Outro filme que está prestes a estrear é Dear Wendy, cujo roteiro tem escrito e é dirigido por Vinterberg. Esta obra está relacionada com a fascinação de Von Trier pelas armas de fogo e também é passada nos Estados Unidos, para onde nunca foi, devido a seu medo de avião. O diretor assegura que, se não fosse por esse medo, visitaria o país por sua "paisagem", pois não lhe agradam as grandes cidades. Ele critica a idéia do "sonho americano", embora lhe pareça "muito romântico". Sobre isso, sugere que não é mais que um acidente histórico o fato de que os americanos falem inglês e não alemão. "Isso teria sido diferente. Poderia fazer um filme de ficção científica sobre o que teria ocorrido se, naquele país, todos falassem alemão", acrescenta.

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