Lançado 3.º Congresso de Cinema

Entre as duas primeiras edições do Congresso Brasileiro de Cinema, ocorridas em 1951 e 1953, e o terceiro encontro, que será realizado em Porto Alegre, em junho, a produção nacional alternou fases de efervescência com outras de inércia. Com o objetivo de reduzir esse desnível, cerca de 200 pessoas ligadas ao setor - produtores, distribuidores e exibidores - reuniram-se, ontem, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, para lançar o evento e discutir sua pauta."Os dois primeiros congressos ocorreram quando o Estado só comparecia no cinema brasileiro com a censura", lembrou o cineasta Nélson Pereira dos Santos. Ele era o único, entre os presentes ao encontro, que trabalhava com cinema no início dos anos 50 e chegou a participar dos dois primeiros congressos. "Agora, nossa questão é a falência do modelo de participação estatal e as saídas para essa situação".Para a 4.ª edição do evento, não será preciso esperar tanto. O secretário de Cultura fluminense, o artista plástico Ângelo de Aquino, prometeu, no início da reunião, que o próximo encontro será no Rio, em 2001. Logo após o anúncio, ele saiu do local.O cineasta Gustavo Dahl, que vai presidir o 3.º Congresso Brasileiro de Cinema, promovido pelo governo gaúcho, ressaltou a necessidade de os profissionais ligados a cinema reunirem-se, uma vez que não existe mais um órgão que os represente. "Até o governo Collor, havia o Concine (Conselho Nacional de Cinema), no qual, bem ou mal, discutíamos nossos problemas", lembrou. "E não foi por acaso que esse governo que começou a desmontar toda a indústria nacional desarticulou o cinema brasileiro".Já o secretário-adjunto para Cinema do Estado do Rio, Luiz Carlos Prestes Filho, apresentou dados que comprovam a importância da indústria cinematográfica, em particular, e cultural, em geral, na economia. Segundo ele, a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços do setor chega a R$ 429 milhões. "E sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado é de quase 4%; para um PIB de R$133 bilhões, contribuimos com R$ 5,1 bilhão", informou Prestes Filho. "Só a indústria editorial movimenta mais dinheiro e emprega mais gente que a naval, por exemplo".O representante de Minas na reunião, Geraldo Pessoa dos Santos, fez uma sugestão prática. "Vamos aproveitar as semanas que faltam até a realização do congresso para estudar a legislação de nossos Estados e tentar unificá-la", propôs. "O que temos hoje são leis de incentivo, que chegam a brigar umas com as outras". Dahl encerrou a reunião lembrando que, hoje, o cinema nacional atinge menos de 5% da população brasileira. "Temos um público de pouco mais de 7 milhões de pessoas, que vai ao cinema várias vezes; e dezenas de milhões que nunca vão".

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