Laís Bodanzky mostra seu "Bicho de 7 Cabeças"

Bicho de 7 Cabeças marca a estréia de Laís Bodanzky na direção de um longa-metragem de ficção. Diretora do premiado documentário Cine Mambembe: o Cinema Descobre o Brasil, feito junto com seu marido, Luiz Bolognesi, a cineasta escolheu uma história polêmica para a sua estréia. O filme narra a história de um adolescente que é mandado para um hospital psiquiátrico. As cenas que foram filmadas dentro de um hospital desativado em São Paulo. "Junto com o personagem central, o público poderá conhecer a realidade dentro de um manicômio", conta a diretora.O filme foi recentemente finalizado na Itália e estreou no Festival de Cinema do Rio BR. O público paulista poderá conferir a partir desta quinta-feira o longa de Laís Bodanzky na 24º Mostra Internacional de São Paulo. É um dos dois únicos filmes nacionais competindo no módulo Novos Diretores, ao lado de Tolerância, de Carlos Gerbase."No Rio, o retorno foi muito bom. Estou com um frio na barriga esperando a mostra de São Paulo. Os dois festivais são muito importantes já que são uma vitrine nacional e internacional", diz Laís. Foi exatamente na mostra de São Paulo do ano que passado que a diretora conseguiu o dinheiro que faltava para começar as filmagens com um orçamento menos apertado.Durante três anos, as produtoras paulistas Buriti Filmes (da própria Laís), Dezenove Imagem & Som e a Barge juntaram recursos através das leis de incentivo à cultura. A Rio Filmes também entrou como co-produtora. Mas em 1999, a diretora não conseguiu arrecadar mais nenhum dinheiro. Como estava tudo pronto para o início das filmagens, Laís Bodanzky pensou em reduzir os gastos fazendo uma versão mais econômica do que a planejada.A salvação veio da Itália. Na Mostra Internacional de Cinema de 1999, Marco Müller, responsável pela empresa áudio-visual Fabrica, era um dos jurados do festival. O roteiro do filme Bicho de 7 Cabeças caiu em suas mãos. Encantado com a história, a empresa resolveu liberar US$ 150 mil para a produção. "A Fabrica é uma instituição mantida pela Benetton. Eles patrocinam o cinema feito no terceiro mundo. Graças a esse patrocínio, conseguimos finalizar o longa com tanta rapidez", explica Laís Bodanzky. A finalização foi toda feita nos estúdios italianos, o que ajudou a produção economizar dinheiro com mixagem e montagem, entre outras etapas. No total, foram gastos R$ 1,5 milhão.O filme deve estrear em circuito nacional no primeiro semestre de 2001. As filmagens duraram sete semanas e aconteceram na cidade de São Paulo. O roteiro foi escrito por Luiz Bolognesi. O filme é uma adaptação do livro autobiográfico Canto dos Malditos, do curitibano Austregésilo Carrano. O autor realmente esteve internado em um hospital psiquiátrico e em seu relato conta os horrores da experiência.O elenco é encabeçado por Cássia Kiss, Othon Bastos e Rodrigo Santoro. Mas a maioria dos atores são desconhecidos do grande público. Laís Bodanzky destaca as interpretações de Gero Camilo e Marcos Cezani. "Durante duas semanas, fizemos testes em São Paulo para escalar o resto do elenco. Encontramos atores ótimos mas infelizmente não havia papel para todos", conta a diretora. No filme, Rodrigo Santoro interpreta um adolescente envolvido com drogas. Os pais (Cássia Kiss e Othon Bastos), inconformados, acabam por interná-lo em manicômio. Na história, o protagonista tem apenas 17 anos. Rodrigo Santoro está com 24 anos, mas mesmo com a diferença de idade, a diretora pensou no ator para o papel desde o início. "Ele conseguiu recuperar muito bem o frescor de um adolescente", completa.O público-alvo do filme deve ser os adolescentes mas a diretora acredita que as pessoas mais velhas também vão prestigiar Bicho de 7 Cabeças. "Os mais jovens se identificam com os personagens e com a linguagem mas a história atinge o coração de todos". A trilha sonora traz músicas de Arnaldo Antunes e André Abujamra.Bicho de 7 Cabeças traz uma linguagem de documentário, mostrando também a habilidade da diretora nesse formato. Cine Mambembe: o Cinema Descobre o Brasil agradou a crítica e ganhou prêmios em alguns dos festivais que participou. No ano passado, foi o vídeo vencedor do Prêmio TV Cultura de Documentários/É tudo Verdade, no 4.º Festival Internacional de Documentários. Cine Mambembe mostra a viagem de um casal de cineastas pelo interior do Brasil, que exibem curtas-metragens em praças à pessoas que nunca foram ao cinema.No New York International Latin Film Festival, o documentário foi considerado o melhor filme internacional de vanguarda do evento que teve a participação de cerca de 60 obras curtas e longas, entre ficção e documentário, realizadas por latino- americanos ou americanos de origem latina. O filme também recebeu o prêmio de segundo melhor documentário do Festival de Havana, ficando atrás de Borges - Os Livros e as Noites, do argentino Tristan Bauer. No Festival de Gramado de 1999, o documentário recebeu um prêmio especial do júri. Com o curta Cartão Vermelho (1994), Laís Bodansky ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Brasília.

Agencia Estado,

25 de outubro de 2000 | 17h57

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