'Lady Chatterley' atualiza romance de D. H. Lawrence

Pascale Ferran redescobre a obra literária, restaurando uma vitalidade que se perdera com o tempo

Alysson Oliveira, da Reuters,

07 de novembro de 2022 | 13h12

A diretora francesa Pascale Ferran conseguiu um grande feito com Lady Chatterley, que estréia em São Paulo nesta sexta-feira, 22: fazer um filme de época com uma leitura contemporânea. No Rio, o filme deve entrar em cartaz na próxima semana.  Veja também:Trailer de 'Lady Chatterley'  Diretores que se arriscam nesse tipo de filme muitas vezes caem numa mesma armadilha, fazer um filme preso ao passado, o que o torna pesado e quase sempre desinteressante. O francês Lady Chatterley vai na contramão desse estereótipo. Adaptado de uma segunda e menos conhecida versão do romance O Amante de Lady Chatterley, do inglês D. H. Lawrence, o longa prima pela leveza, sem cair numa abordagem rasa. A diretora francesa reencontra o frescor do livro publicado na década de 1920, que chegou a sofrer um processo por obscenidade. Na Inglaterra, só foi liberado na década de 1960. Até então, só era encontrado ilegalmente. Diferente da versão mais popular do romance de Lawrence, aqui o foco se fecha na personagem central - tanto que no título do filme nem há a palavra "amante". Constance (Marina Hands, de As Invasões Bárbaras) é uma jovem aristocrata casada com um marido inválido (Hippolyte Girardot, de Paris, Te Amo), que lhe dá pouca atenção e prefere cuidar de seus negócios com mineração. Durante um passeio por sua propriedade, Lady Chatterley conhece o novo guarda de caça da propriedade, Parkin (Jean-Louis Coulloc'h). Se no princípio há uma estranheza entre os dois, deixando as distinções sociais prevalecerem, com o tempo o relacionamento se transforma em amizade e, posteriormente, num romance. Longe de limitar-se ao seu aspecto erótico, esse envolvimento tem um papel fundamental para que os dois personagens definam suas próprias identidades. Nesse sentido, Lady Chatterley é abertamente feminista, ao trazer ao centro o ponto de vista e as sensações de Constance. Das seis adaptações do livro para o cinema e televisão, aliás, esta é a única até agora dirigida por uma mulher - o que faz uma grande diferença na compreensão da protagonista. Lady Chatterley lida francamente com o despertar sexual da personagem, pelas mãos de Parkin. A diretora mostra com clareza e sutileza como a atração sexual muda a percepção que Constance e Parkin têm do mundo e de si mesmos. Se os personagens nem sempre conseguem encontrar palavras para explicar sua experiência, a diretora traduz isso em imagens. Cenas da natureza, flores em especial, têm um significado importante nas descobertas dos amantes. Ao adaptar o romance de Lawrence, Pascale redescobre a obra literária, restaurando uma vitalidade que se perdera com o tempo. O longa ganhou cinco prêmios César na França em 2006 - melhor filme, roteiro, fotografia, figurino e atriz.

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