Laboratório de Roteiros Sundance é chance de fazer contatos

Uma nova rotina passa a dominar a vida dos diretores de filmes exibidos no Sundance Film Festival, logo no dia seguinte ao encerramento da competição: bips começam a soar, mensagens acumulam-se na secretária eletrônica e o correio eletrônico apresenta um número crescente de mensagens. São produtores e programadores de outros festivais, interessados em seu filme e dispostos a conhecer projetos futuros."Esta é uma das minhas perspectivas", ambiciona o estudante de cinema Daniel Levi da Silva que, ao lado do espanhol Fernando Gallego, escreveu o roteiro de Abaixo do Limite da Pele, um dos dez selecionados para o 4.º Laboratório de Roteiros Sundance/Riofilme, que durou cinco dias e termina hoje, em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. Durante este período, o texto dos escolhidos foi analisado por um grupo de profissionais do cinema brasileiro e estrangeiro. "Nenhum de nós é obrigado a aceitar as sugestões, mas certamente são bem-vindas."Com muitos conselhos na bagagem, Curtis Hanson, ganhador do Oscar de roteiro adaptado por Los Angeles - Cidade Proibida, chegou ao Rio de Janeiro há duas semanas, para participar da primeira mostra de filmes feitos a partir de roteiros premiados, no Centro Cultural Banco do Brasil. A abertura foi justamente com Eu, Tu, Eles, em que Hanson contribuiu com sugestões para a roteirista Elena Soárez. O festival ofereceu ao público a possibilidade de descobrir filmes como :Judy Berlin (já exibido em São Paulo), Joe Gould´s Secret e What´s Cooking?.O encontro dos roteiristas em Paraty não foi um curso convencional. Na pauta dos consultores, esteve a discussão de minúcias que vão da estrutura geral à coerência dos personagens. Tudo isso em uma maratona de cinco dias, em um hotel isolado. "É uma excelente oportunidade, pois reuniu pessoas interessadas em linguagem cinematográfica, independentemente do nome dos roteiristas", comenta o jornalista e escritor Marçal Aquino, que já participou do laboratório como roteirista de Ação entre Amigos (ao lado de Beto Brant, diretor do filme) e agora foi consultor. "Mesmo que não se concorde com o que é sugerido, há o mérito de novas abordagens, o que amplia a visão crítica do filme."Segundo Aquino, para o roteirista, o melhor é aproveitar as dicas de quem apresentar uma linha mais perto de sua linha de raciocínio. "Outro fator muito importante é a confiança de que o roteiro é viável", explica.Os organizadores não financiam a realização do filme, mas os contatos ocorridos durante o laboratório são decisivos. "Muitas vezes, ali ocorrem os principais acordos financeiros", afirma Marçal. É novamente o caso de Andrucha Waddington: no ano passado, quando participava de um seminário organizado pela Fundação Sundance, o diretor conheceu Michael Barker, da Sony Classics, responsável agora pela distribuição de Eu, Tu, Eles em todo o mundo, com exceção da América Latina, onde a responsabilidade é da Columbia Tristar Filmes do Brasil.Participantes - "Acredito que teremos nossa grande chance", comentou Daniel Levi da Silva, um dos autores de Abaixo do Limite da Pele, que esteve em Paraty ao lado de Alain Fresnot (Desmundo), Carlos Gregório (Se Eu Fosse Você), Roberto Gerwitz (Jogo Subterrâneo), Edyala Iglesias (O Dia de Nossa Revolução), Tizuka Yamazaki e Jorge Duran (Gaijin, a Promessa), Murilo Dias César (São Bernardo), Patricia Freitas (Samba do Meio do Mundo), Lui Farias e Melanie Dimantas (Legítima Defesa) e Rogério Correa e Gabriela Campidelli (Trilhas da Cidade).O laboratório conseguiu a impressionante marca de 220 inscritos, atrás apenas da cidade de Utah, nos Estados Unidos, onde é feito há 19 anos. Criado pelo ator, diretor e produtor Robert Redford, os Laboratórios Sundance funcionam desde 1993 fora da fronteira americana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.