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'Labirinto de Mentiras', do italiano Giulio Ricciarelli, tropeça no didatismo

Alemanha busca o Oscar de 2016 com trama sobre nazismo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2015 | 04h00

Estamos em plena temporada pré-Oscar e a poucos dias do anúncio dos nove longas que estarão disputando a indicação para concorrer ao prêmio da Academia de Hollywood para o melhor filme estrangeiro. Em meados de janeiro, a Academia finalmente estará anunciando os indicados – em todas as categorias. O Globo de Ouro, por menos indicativo que ande sendo do Oscar, já lançou uma ducha de água fria em quem contava com a indicação de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, para influenciar os chamados ‘velhinhos de Hollywood’, que votam para filme estrangeiro. O longa indicado pela Alemanha também ficou fora do Globo de Ouro. Labirinto de Mentiras está estreando nesta quinta-feira, 17. Só vai para o Oscar se a Academia resolver selecioná-lo pelo tema.

Pois o tema de Labirinto é realmente importante, por mais que a realização do diretor Giulio Ricciarelli não esteja à sua altura. O filme passa-se na Alemanha do pós-guerra, quando o país vivia seu milagre econômico. Em 1978, vale lembrar, Rainer Werner Fassbinder iniciou, com O Casamento de Maria Braun, uma trilogia sobre a Alemanha, naqueles anos de reconstrução. Depois, fez Lili Marlene, Lola e até um quarto filme que dialogava com o período, O Desespero de Veronika Voss.

Ricciarelli retoma essa mesma época, mas em outra chave. Seu filme conta a história real do procurador Fritz Bauer, notório perseguidor de nazistas, mas do ângulo de um jovem assistente do seu gabinete. No clima arrivista do país em desenvolvimento – graças ao apoio dos EUA, que usavam a Alemanha (Ocidental) como escudo contra a então União Soviética –, o jovem resolve investir numa linha de investigação que vai tirá-lo da alçada de pequenas infrações de trânsito, a que se sente restringido. Ele resolve investigar crimes cometidos por poderosos na Alemanha, durante a 2.ª Guerra. A ideia é, em si, tão interessante quanto perigosa.

Pois, para mostrar que o nazismo é coisa do passado e a vida política alemã, a par da econômica, também está normalizada, não há muito interesse, das próprias autoridades, em escavar nesse passado comprometedor, que pode atingir figuras importantes em novos postos de comando. Só que Johann/Alexander Fehling não se intimida pelas dificuldades que encontra. A maior delas é o que se pode definir como ‘conspiração do silêncio’. Pode ser difícil de acreditar, mas ele – e outras pessoas próximas – nunca ouviram falar de campos de extermínio como Auschwitz.

Johann fica obcecado e o que deveria ser o trampolim para o seu crescimento profissional vira o oposto – uma porta para o desmoronamento. Sua vida íntima e profissional começa a ruir, e para metaforizar o que ocorre com o personagem o diretor vale-se de um recurso tão didático quanto ingênuo. Um terno roto. Ricciarelli nasceu em Milão e iniciou a carreira de ator na Itália. Tornou-se roteirista e diretor na Alemanha. Precisa melhorar muito para sonhar com o Oscar. O Holocausto estará melhor representado no prêmio por O Filho de Saul, da Hungria.

 

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