"Kung-Fusão" faz divertida paródia a filmes de luta

Kung-Fusão, de Stephen Chow, pega carona na atual onda de sucesso dos filmes de artes marciais e estréia hoje nos cinemas brasileiros.Trata-se de um pastiche, uma paródia do gênero que recuperou, em novas bases, a popularidade que havia desfrutado nos anos 1970, não apenas graças a Ang Lee (O Tigre e o Dragão) e Quentin Tarantino (Kill Bill), com seus tigres, dragões e noivas vingativas, mas também ao fenômeno Matrix, dos irmãos Wachowski. Como Tarantino, Stephen Chow é um cinéfilo que pratica um cinema de citações e referências. Kung-Fusão já foi definido como uma comédia metalingüística, com sua trama desenrolada no submundo chinês, opondo a Gangue do Machado aos pacatos moradores de um cortiço. O próprio diretor faz o herói em busca de redenção e é verdade que Chow se vale do humor e da extravagância para desenvolver sua trama. Cartum, quadrinhos, artes marciais. Kung-Fusão mistura tudo, numa salada de gêneros e estilos. Mas a maior influência é a de um diretor alheio ao gênero, o mestre do suspense Alfred Hitchcock. Sob certos aspectos, Kung-Fusão é o Psicose das artes marciais. Como a obra cultuada de Hitchcock, o filme tem uma estrutura tripartite. Há uma primeira parte que leva à morte dos heróis, outra que constrói novos heróis e os leva à incapacidade e a terceira na qual a ação se resolve. Em cada uma delas, o filme se reconstrói (e enriquece). É divertido e não é tolo. O humor de Stephen Chow é mais inteligente do que parece.

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