Kubrick e sua magnífica escola de ódio em <i>Laranja Mecânica</i>

Mario Benedetti, escritor uruguaio que recentemente concedeu entrevista ao Estado, em uma outra entrevista não tão recente, de 1997 ao jornalista José Castello, quando lançava Andamios, disse que a TV e o cinema hoje são cursos básicos de ódio. E usava como exemplo Laranja Mecânica (22 horas no A&E).Para ele, hoje os jovens em vez de lerem e ´freqüentarem a escola dos sentimentos´ são educados pela escola do ódio da arte massificada. De fato, em Laranja Mecânica, o gênio Kubrick dá uma aula de como transformar um jovem, Alex (Malcolm McDowell), que vive em um futuro próximo, em um tirano incurável. Alex e sua gangue têm como passatempos a violência, estupros e ouvir música clássica (especialmente Beethoven). Ele é preso. No cárcere, vira cobaia de um tratamento de reabilitação ainda em testes. As conseqüências são catastróficas. Um filme ambíguo, para uma sociedade mais ambígua. O impacto foi tão forte que jovens depois de assistirem à história de Alex saíram pelas ruas da Inglaterra praticando barbáries. A vida imita a arte? Kubrick, sensível a seu tempo, hoje teria muito o que filmar. Ou não. Talvez tudo já tenha sido dito, e magistralmente filmado, em 1971, quando o diretor realizou esse drama baseado na obra de Anthony Burgess.

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