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‘Kon Tiki’ é relato da vocação humana para a aventura

Longa narra a aventura de expedicionários em jangada primitiva do Peru à Polinésia

Luiz Zanin Oricchio,

08 de agosto de 2013 | 20h30

A Aventura de Kon-Tiki é baseada numa obsessão. Todas as descobertas e aventuras são assim. Perguntaram a George Mallory, alpinista que tentou alcançar o cume do Everest, e quase morreu na empreitada, por que arriscara a vida por aquilo. Respondeu: Porque ele estava lá. “Ele” era o monte. Ou o desafio em si. Kon-Tiki é a mesma coisa. Narra a viagem de expedicionários em jangada primitiva, ao sabor dos ventos e das correntes marítimas, do Peru à Polinésia. Uma empreitada maluca, em aparência, mas que serviu para provar que o contato entre civilizações tão separadas era possível 15 séculos atrás.

A história é verídica e tem como protagonista o explorador norueguês Thor Heyerdahl. Apaixonado pela Polinésia, lá passa férias com sua mulher e ouve, encantado, relatos de nativos sobre a vinda dos seus ancestrais, “do Leste”, de onde vem o sol. Em meio à incredulidade do meio científico, decide provar que essa viagem era possível. Faz-se ao mar, numa jangada, em companhia de cinco navegantes inexperientes como ele, que nem sabia nadar.

O filme, dirigido por Joachim Ronning e Espen Sandberg, foi indicado pela Noruega para disputar o Oscar. O Kon-Tik já fora tema de um documentário sobre a expedição, que venceu o Oscar da categoria em 1950. A expedição real começou em 1947 e levou 101 dias de Lima ao seu destino, percorrendo mais de 6.900 quilômetros.

Agora sob a forma ficcional, vemos o expedicionário futuro, ainda na infância, tentando atravessar uma ponte sobre um lago gelado e quase morrendo na empreitada. O pai recomenda-lhe juízo no futuro. Coisa que ele não terá, do contrário a aventura jamais teria acontecido. O Thor Hayerdahl adulto (Pal Hagen) decide fazer a viagem, contra a vontade da esposa (eles já tinham dois filhos pequenos) diante da obstinação do meio científico da época. Era certeza dogmática que a colonização das ilhas da Polinésia havia sido feita pelo Oeste e não pelo Leste, como sugeria Thor.

Durante a expedição ele dá provas da mesma obstinação, enfrentando ventos, tempestades, baleias, tubarões, recifes de corais, e mesmo o desânimo de seus companheiros, para provar a tese. Para que tudo ficasse estabelecido, era necessário que Thor se privasse dos confortos e segurança da tecnologia a ele contemporânea. Tinha de navegar nas mesmas condições que os antigos haviam feito. Mesmo para monitorar a posição, usavam as estrelas, como faziam os antigos.

A Aventura de Kon-Tiki, apesar de verídica, adota o tom de fábula saída da pena de Jules Verne. No fundo, temos toda a estrutura que dá origem à viagem nessas condições. Algum tipo de desafio, algo a provar (ter razão é uma das mais profundas paixões do ser humano), a reunião de companheiros, os antagonistas, a prova em si, o sofrimento e a recompensa. Após a viagem, quase fatal, se segue a meditação sobre o seu sentido.

Thor é um predestinado, precisa seguir adiante e sua esposa o reconhece como parte dessa tribo dos aventureiros. Parece um personagem de ficção, mas é bom saber que existiu e, mesmo “sem juízo”, viveu de 1914 a 2002. 88 anos! Não é aventura que mata, mas o tédio.

A AVENTURA DE KON TIKI

Título original: Kon Tiki.

Direção: Joachim Rønning.

Gênero:

Aventura (Dinamarca/2012, 118 min).

Classificação: 12 anos.

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