Kirsten Dunst reina na tela de "Wimbledom"

Enquanto os pobres mortais têm a vida registrada nos álbuns de foto de família, Kirsten Dunst tem à disposição uma coleção de quase 30 longas-metragens. ?Dá uma sensação estranha saber que eu cresci nas telas. Todas as minhas fases foram eternizadas pelo cinema, inclusive as mais constrangedoras", conta a atriz de 22 anos. Vista pela primeira vez aos sete anos em Contos de Nova York (1989), sob a direção de Woody Allen, Kirsten é uma das poucas que conseguiu fugir da maldição dos atores mirins de Hollywood, que acabam caindo no esquecimento na fase adulta. ?Nunca parei de trabalhar??, diz. Alternando blockbusters, como os títulos da franquia Homem-Aranha (2002 e 2004), e filmes mais independentes, como As Virgens Suicidas (1999) e Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (2004), Kirsten já experimentou quase todos os gêneros e orçamentos. A última personagem a ingressar na sua galeria foi a tenista da comédia romântica Wimbledon: O Jogo do Amor, a partir de hoje em cartaz nos cinemas, que conta a história de um tenista decadente (Paul Bettany) que se apaixona pela mais nova estrela do tênis feminino em pleno torneio de Wimbledom. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida em Los Angeles.Inspirou-se em Serena Williams, com quem se encontrou várias vezes, para encarnar a personagem de Wimbledon?Não foi necessariamente uma inspiração. Não tinha tantas dúvidas sobre o jogo de tênis especificamente, mas precisava saber como ela se sente quando está na quadra. As pessoas não imaginam como a vida dos tenistas é, por vezes, solitária. Eles passam o dia treinando e, durante os torneios, estão sempre fora de casa.Não se sente superexposta, levando em conta que ?Wimbledon?? é o terceiro filme que você lança este ano (depois de ?Brilho Eterno?? e ?Homem-Aranha 2??)?Felizmente Brilho Eterno não chamou tanta atenção por ser um filme pequeno e o meu papel ser apenas de coadjuvante. Para evitar a superexposição, teria sido melhor se Wimbledon não estreasse no mesmo ano de Homem-Aranha 2, que teve muita visibilidade. Mas atores não têm o controle. Ainda assim, daqui para a frente terei o cuidado de não trabalhar excessivamente, a ponto de deixar o público cansado de mim.Como a sua personagem em ?Wimbledon", uma campeã de tênis perseguida pelos paparazzi, sente dificuldade para manter uma vida normal longe do alcance da mídia?Sempre procurei levar uma vida normal. O problema está em estabelecer os limites. Eu costumava falar abertamente sobre a minha vida com a imprensa, mas tive algumas experiências ruins após ter as minhas declarações manipuladas.Sentiu-se incomodada pelo fato de sua vida amorosa (principalmente o recente rompimento do namoro com o ator Jake Gyllenhaal) passar a chamar mais atenção que o seu trabalho? Obviamente, conforme eu fui crescendo, o interesse da mídia por mim também mudou. Hoje a minha vida amorosa está na mira dos paparazzi. Mas o que mais me incomoda mesmo é quando a imprensa distorce o que eu digo. Recentemente publicaram que não falo mais com a minha mãe. Como qualquer garota da minha idade, eu disse apenas que a dinâmica com os meus pais tinha mudado. Como minha mãe ficou chateada, não vou deixar que isso aconteça de novo. Não quero mais que as pessoas que eu amo fiquem magoadas. Olhando para trás, quando se compara às amigas que cresceram longe das câmeras, pensa ter perdido algo na sua infância e adolescência?Não. Por mais que estivesse trabalhando, sempre fiz as mesmas coisas que as outras meninas da minha idade. No ginásio, por exemplo, tive um grupo de amigas com quem fiz todas as bobagens possíveis e imagináveis. Sem falar que, ainda menina, você contracenou com bonitões como Tom Cruise e Brad Pitt (Kirsten causou sensação na mídia ao beijar Pitt em "Entrevista com o Vampiro", em 1994, aos 12 anos).Confesso que, por ter começado tão jovem, nunca me dei conta do calibre dos astros com quem contracenava. Quando filmei Entrevista com o Vampiro não entendia direito o peso de uma celebridade. Tom e Brad eram como irmãos mais velhos no set.Gosta de assistir aos seus filmes?Só consigo assisti-los muito tempo depois, quando já me distanciei da experiência. Prefiro não vê-los quando eles ainda estão na mídia.Você é uma das poucas das atrizes mirins que construiu uma sólida carreira na fase adulta, sem cair nas drogas ao longo do caminho... (como ocorreu com Drew Barrymore).Só posso dizer que tive muito apoio. Mas talvez o mais importante tenha sido nunca me deixar consumir totalmente pela indústria do cinema.

Agencia Estado,

22 de outubro de 2004 | 20h21

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