Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Kirsten Dunst defende que 'furor feminino precisa emergir'

Atriz, que está em 'O Estranho Que Nós Amamos', elogia diretora Sofia Coppola e a sutileza e equilíbrio do filme em relação ao original de 1971

Manohla Dargis, THE NEW YORK TIMES

24 de junho de 2017 | 16h00

CANNES  - Sentada na suíte Roman Polanski do Hotel Carlton desta cidade, Kirsten Dunst se esforçava para sorrir. Era quarta-feira e desde o dia anterior ela sofria as consequências de uma intoxicação alimentar. “Eu estava realmente mal, ontem”, garantiu. Ela estava bebericando muita água, enquanto se fortalecia para entrevistas sobre seu mais recente filme, The Beguiled (O Estranho Que Nós Amamos), suspense gótico que garantiu a Sofia Coppola o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, em maio.

 

O festival teve 19 títulos na competição de longas, somente três de mulheres. Esse desequilíbrio de gênero é conhecido, embora não custe lembrar que, em 2012, não houve diretoras mulheres na competição principal. Mesmo assim, essa questão é tão frustrante em Cannes como no Oscar, razão pela qual, quando falei para Dunst sobre o sexismo da indústria, ela disse que estava farta de isso ser um problema. “Estou cansada desse assunto.” Para Dunst, que trabalhou com cineastas mulheres em toda sua carreira, a diretora e o elenco predominantemente feminino de O Estranho Que Nós Amamos são a maior declaração do filme. Ela acrescentou que há “uma subcorrente de furor feminino que precisa emergir”.

O Estranho Que Nós Amamos, previsto para estrear no Brasil em 10/8, é baseado no romance de 1966 de Thomas Cullinan, que Don Siegel transformou, em 1971, num veículo para Clint Eastwood brilhar. Ambientado em 1864, no Sul dos EUA, durante a Guerra Civil, ele acompanha um ianque ferido, o cabo McBurney, que entra cambaleante numa escola para moças e equivocadamente começa a se comportar como uma raposa no galinheiro. Coppola se aproxima do filme de Siegel em alguns aspectos, mas se torna cuidadosa onde ele se mostrava ofensivo e retira o calor e o sexismo da história, deixando-a mais cool. Colin Farrell faz John McBurney, enquanto Nicole Kidman (Martha) saracoteia por tudo como a diretora da escola. Durnst é Edwina, uma professora toda abotoada que logo se desabotoa.

Nascida em New Jersey, Kirsten Dunst, de 35 anos, fez sua estreia no cinema em Édipo Arrasado, de Woody Allen, um dos três episódios do filme Contos de Nova York (1989), que tem início em Lições de Vida, dirigido por Martin Scorsese. Sofia e seu pai, Francis Ford Coppola, escreveram o episódio A Vida Sem Zoe. Sofia Coppola e Kirsten Dunst se encontraram anos depois para fazer As Virgens Suicidas (1999) e Maria Antonieta (2006). Dunst lembrou que quando Coppola a chamou para fazer o longa, ela disse: “Quero que você faça a professora. Veja o filme e me diga o que acha”.

Dunst contou que só depois de ver o novo O Estranho Que Nós Amamos, com seu isolamento e sem excessos, ela percebeu que era um projeto perfeito de Coppola. Onde Siegel fora ruidoso e lúbrico, Coppola fora sutil, criando uma instabilidade que Kirsten Dunst descreveu como ‘purulenta’. 

No contexto de tanta invisibilidade e sofrimento femininos, Coppola e suas mulheres foram um bem-vindo alívio. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Tudo o que sabemos sobre:
Cinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.