Alberto E. Rodriguez/AFP
Alberto E. Rodriguez/AFP

Kirk Douglas vira centenário celebrando a vida

Astro que completa 100 anos nesta sexta, 9, credita a longevidade à mulher com quem vive há 63 anos

Luiz Carlos Merten, Impresso

09 de dezembro de 2016 | 04h00

Filho de um imigrante judeu analfabeto, Issur Danielovitch foi, durante muito tempo, ninguém. Mas era predestinado. Estudou, fez-se ator. E virou Kirk Douglas. Tudo isso foi há muito tempo e, nesta sexta, 9, Kirk Douglas completa 100 anos. Cem! Ele próprio credita a longevidade à sua alma gêmea, Anne, a mulher com quem está casado há 63 anos. Nesta sexta-feira tão especial em que Kirk Douglas se torna centenário, Anne e ele – ela, aos 97 anos – estarão no centro de uma recepção para 200 convidados, que está sendo preparada pelo filho, Michael Douglas, e a nora, Catherine Zeta Jones, em Hollywood.

Seu primeiro papel em Hollywood foi em 1946, quando já tinha 30 anos. O filme, O Tempo Não Apaga, de Lewis Milestone. Barbara Stanwyck, grande estrela, era a protagonista. Martha Ives, sua personagem, era uma mulher poderosa casada com um policial bêbado, Kirk. Do passado dela, surgia Van Heflin. Conta a lenda hollywoodiana que Barbara não teria prestado nenhuma atenção a seu coadjuvante. Mas, ao vê-lo atuar, ela deve ter percebido alguma coisa. Cumprimentou-o. O jovem Kirk teria retrucado – “É tarde, miss Barbara.” Pode ser só lenda. Ficaram amigos.

Nos anos e décadas seguintes, a estrela de Kirk Douglas subiu. Papéis cada vez maiores, estelares. E ele se tornou seu produtor. Mas tudo se fez passo a passo. A extensa carreira inclui o trabalho com grandes diretores, em diferentes gêneros. Podem-se agrupar os grandes filmes de Kirk em cada e em todos. Foi Ulisses para o italiano Mario Camerini, Van Gogh para Vincente Minnelli, Doc Holiday para John Sturges e Spartacus para Stanley Kubrick. No noir, destacou-se com Fuga ao Passado, de Jacques Tourneur. Boxe? O Invencível, de Mark Robson. Comédia? Quem É o Infiel, de Joseph L. Mankiewicz.

Drama? A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder, como jornalista inescrupuloso; Assim Estava Escrito e A Cidade dos Desiludidos, ambos de Minnelli, sobre os bastidores de Hollywood, e ainda outro de Minnelli, Sede de Viver, no qual foi (impressionante semelhança) Van Gogh. Épico? Spartacus, de Kubrick. Guerra? Glória Feita de Sangue, de Kubrick, e A Primeira Vitória, de Otto Preminger, dois dos maiores filmes já feitos. Ficção científica? Nimitz – De Volta ao Inferno, de Don Taylor, que mistura guerra na história do porta-aviões que entra numa fenda do tempo e pode mudar a guerra em Pearl Harbour, 1941. Melodrama? O Nono Mandamento, de Richard Quine, em que explica a Kim Novak como faz a barba, por causa da famosa covinha. Westerns? Homem Sem Rumo, de King Vidor; Sem Lei Sem Alma e Duelo de Titãs, de John Sturges; O Duelo, de Lamont Johnson; Ninho de Cobras, de Mankiewicz. Ele até dirigiu um – Ambição Acima da Lei, sobre xerife que persegue pistoleiro para construir carreira política como ‘o homem que matou o facínora’. Lembra o clássico de John Ford, não? A surpresa – em Berlim, ao receber o Urso de Ouro de carreira, Kirk Douglas surpreendeu meio mundo. Seu filme preferido é Sua Última Façanha, sobre um caubói moderno, direção de David Miller e roteiro de Dalton Trumbo. E ele também disse – “Só interpretei fdp, e a maioria não se redimia. Só isso diz alguma coisa sobre o estado do mundo.” Recentemente, durante o processo eleitoral nos EUA, Kirk disse que poderia interpretar Donald Trump. Afinal, mais um fdp...

 

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