"Kinsey" chega para falar de sexo

Desconhecido de uma grande parcela dos brasileiros, Alfred Kinsey (1894-1956) foi o autor da primeira pesquisa abrangente sobre a sexualidade dos americanos, em 1948, tirando o sexo das conversas reservadas para colocá-lo nos debates públicos. Foi um golpe duro no puritanismo que atraiu fama e muitos dissabores para ele. Bill Condon assina Kinsey - Vamos Falar de Sexo, cinebiografia desse personagem rico e complexo que chega hoje aos cinemas do Brasil. Condon sabe lidar com esse tipo de personalidade em seus filmes, como fez, por exemplo, com James Whale, diretor de clássicos do terror da Universal, em Deuses e Monstros.Com um elenco poderoso, que inclui Liam Neeson no papel de Kinsey e Laura Linney - indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante - no de sua mulher Clara, o diretor estabelece uma linha cronológica da vida do personagem e passeia por ela voltando para trás de vez em quando na tentativa de elucidar alguns dos seus comportamentos - especificamente os sexuais - na vida adulta. Kinsey, no filme, é produto de uma família dominada por um patriarca repressor, mas esse homem até mesmo cruel vai revelar sua fragilidade. O filho, pesquisando o comportamento de homens e mulheres, faz sexo com outro homem, mas tem dificuldade de aceitar que a mulher também vá para a cama com esse outro sujeito - que, por sinal, é um de seus pesquisadores. Neeson transforma Kinsey em um gigante excêntrico e desajeitado, cuja obsessão com o sexo e sua pesquisa o levou a ficar cego para outros aspectos importantes da própria vida afetiva. Laura, por sua vez, dá uma dimensão mais humana a Clara, que apesar do liberalismo teve uma certa dificuldade para entender o ponto de vista completamente distanciado do marido com relação a experiências sexuais.

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