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Kevin Costner passa por uma ressurreição artística

Ator aposta tudo como protagonista de ‘McFarland, USA’

Antonio Martín Guirado, EFE

18 de fevereiro de 2015 | 03h00

Aos 60 anos e em plena ressurreição artística, Kevin Coster afirma estar mais certo do que nunca de suas ideias e sentimentos, mas não tem tanta certeza de que ainda é uma personalidade “relevante”, ou “importante”, na Hollywood atual.

“Eu me pergunto se sou relevante. Se, por acaso, sou um ator influente. As pessoas se importam com o que faço? Não tenho certeza. Tenho dúvidas. Essa é a minha luta”, afirmou o vencedor do Oscar pelo filme Dança com Lobos (1990). 

“Não duvido um segundo sequer das minhas convicções nem do que sinto, mas talvez não seja tão importante nesse setor”, acrescentou o célebre protagonista de filmes como Os Intocáveis (1987), Robin Hood - Príncipe dos Ladrões (1991) ou JFK (1991).

Kevin Costner manifesta essa incerteza ao ver que seu recente trabalho, o drama racial Black or White, não foi um grande sucesso de bilheteria, especialmente pelo fato de ele ter investido dinheiro seu - US$ 9 milhões na produção do filme.

Mas agora Kevin tem a oportunidade de uma reviravolta com McFarland, USA, dirigido por Niki Caro. Trata-se de um filme baseado em fatos reais, com estreia prevista para o Brasil em 16 de abril, em que um grupo de jovens trabalhadores do campo forma uma equipe de cross country (um tipo de corrida em campo aberto ou acidentado), sob a direção do treinador Jim White (Costner), recém-chegado com sua família a um vilarejo californiano tipicamente latino.

“A história me emocionou. Cresci com garotos como esses”, disse o ator. “Escolho roteiros que me comovem. Podem não ser assuntos em moda ou que vão render muito dinheiro, mas que considero importantes para as pessoas. Tomara que os pais mostrem este filme para seus filhos. Este será o verdadeiro sucesso.”

O ator, um dos ícones mais representativos do cinema norte-americano das últimas décadas, expressou sua solidariedade para com a comunidade latina - mal refletida nas grandes produções de Hollywood -, não temendo enviar uma mensagem de apoio a uma eventual reforma das leis de imigração do país. 

“Na minha visão, os Estados Unidos foram construídos com base na imigração”, afirmou ele. “Nossas fronteiras precisam ser controladas e seria ridículo se não fossem. As pessoas não podem chegar aqui sem mais nem menos. Mas aqueles que aqui estão, que não são criminosos e têm filhos, devem ficar, ser protegidos e dispor de tudo o que os EUA têm a oferecer.”

Falar dos Estados Unidos é uma das grandes paixões do artista, seja por uma ótica grandiloquente - como em Dança com Lobos, O Mensageiro ou a minissérie Hatfields & McCoys ou mais íntima dos dramas humanos, como em McFarland, USA.

“Para mim, era importante falar dos trabalhadores do campo, aqueles que levam comida para nossas mesas. Ninguém dá a eles a necessária atenção. E são pessoas que passam o dia todo encurvadas e trabalhando sem parar, chova ou faça sol”, afirmou ainda o ator.

“Essas pessoas têm sonhos. Talvez não sejam alcançados, mas se trabalharem duro, acreditam que seus filhos conseguirão realizá-los. Isso, para mim, é muito nobre. Muito americano.” É o caso também das segundas chances e reinvenções, como o próprio Costner sabe muito bem. Por mais de uma década, o ator dedicou-se mais à sua família e trabalhou em pequenos filmes à margem dos grandes estúdios.

Hoje, ele desfruta de um retorno magistral, desde Hatfields & McCoys (2012), um enorme sucesso de público que lhe propiciou um Globo de Ouro e um Emmy como ator.

Depois vieram papéis em Homem de Aço, Operação Sombra - Jack Ryan e 3 Dias para Matar, que convenceram a crítica e o público.

“Estão me chegando críticas excelentes. O certo é que eu me esforço muito e sempre. Não sei o que estabelece a diferença, mas sempre procuro ser a persona que interpreto”, explicou ainda.

Além disso, Kevin Costner confessou que deseja voltar a dirigir - “ainda sonho com um western” - e que presta pouca atenção aos triunfos passados em sua carreira.

“Não me entusiasmo pensando no que fiz nem no que me converti, porque os filmes são uma parte muito pequena da minha vida. Aprecio tanto o cinema que faço agora como o que fiz no passado. E hoje continuo trabalhando tão duro como posso.” / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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