Ken Loach, vencedor da Palma de Ouro, pede boicote a Israel

O diretor britânico Ken Loach, vencedor da Palma de Ouro no 59.º Festival de Cinema de Cannes por "The Wind That Shakes the Barley", realizado em maio, se posicionou contra Israel, aderindo a um pedido de boicote das manifestações culturais deste país lançado por cineastas e artistas palestinos. O diretor de "Apenas um Beijo" e "Pão e Rosas", que rejeitou o convite do Festival de Haifa, pede também aos seus colegas para se unirem na campanha contra o estado judeu. "Aceito o convite de diretores, artistas e outros palestinos de boicotar as instituições culturais patrocinadas pelo estado de Israel e convido outros a se unirem a esta campanha", escreveu Loach em uma declaração publicada pelo site da "Campanha palestina pelo boicote acadêmico e cultural de Israel". O diretor de "Terra e Liberdade", conhecido por seu empenho político, explica que "os palestinos foram levados a este pedido de boicote depois de 40 anos de ocupação da sua terra, de destruição das suas casas, de seqüestros e assassinatos de seus civis, e não têm esperança imediata que esta opressão tenha fim", salienta. "Como cidadãos britânicos, devemos reconhecer a nossa responsabilidade, devemos condenar os governos inglês e norte-americano porque apóiam e armam Israel. Devemos nos opor às atividades terroristas dos governos inglês e norte-americano em continuar com as ocupações e guerras ilegais", prosseguiu Loach. "É impossível ignorar o pedido dos palestinos e por isto, rejeitarei qualquer convite do Festival de Cinema de Haifa ou de qualquer outra ocasião", concluiu. A notícia, publicada no domingo pelo jornal israelense Haaretz, provocou uma avalanche de comentários na versão do jornal na internet. Muitos leitores israelenses afirmaram que boicotarão por sua vez os filmes de Loach, chegando a premiá-lo com a "Palma da intolerância".

Agencia Estado,

28 de agosto de 2006 | 15h57

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