Sergio Castro/ Estadão
Sergio Castro/ Estadão

Kechiche fala sobre seu premiado 'Azul É a Cor Mais Quente'

'Para mim, é uma história de amor e descoberta'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2013 | 18h25

Adèle Axerchopoulos confessa-se cansada de toda essa discussão sobre as cenas de sexo em A Vida de Adèle, o longa vencedor do Festival de Cannes que será lançado no Brasil, na próxima sexta, dia 6, com o título Azul É a Cor Mais Quente". "É um filme tão rico, com tanta coisa para discutir, mas as pessoas ficam empacadas na questão do sexo. Como foi fazer? Se rolou mesmo um clima com Léa (Seydoux)? É frustrante", ela admite. O próprio diretor Abdellatif Kechiche reflete - "Esse discussão é coisa antiga. Dizia-se a mesma coisa de Diário de Uma Garota Perdida, de Georg Wilhelm Pabst, com Louise Brooks, nos anos 1920. Hoje em dia, as pessoas conseguem ver o filme por seu méritos. Espero que com a gente ocorra a mesma coisa, no futuro."

Ele diz que nunca pensou em fazer uma adaptação fiel da HQ. "É muito livre. Praticamente retenho só o encontro das duas mulheres, a forma como o acaso as aproxima e como suas vidas não serão mais as mesmas. Neste sentido, o filme acabou tendo mais a ver com uma velha história que me perseguia, sobre a relação de duas mulheres. Mas esse outro filme não teria tanto sexo, tenho de dizer." As diferenças são tão fortes que a protagonista feminina nem se chama Adèle, como no filme. "Mudei tudo para que a interação de Adèle (a atriz) com a personagem fosse mais consistente."

Numa época de intensa permissividade, Kechiche indaga-se sobre o por quê do escândalo. Apesar das cenas íntimas entre mulheres, o filme não é, segundo ele, sobre homossexualismo. "Não pensei em guetos nem comunidades. Para mim, é uma história de amor e descoberta." Sobre a tríplice Palma de Ouro, que dividiu com suas duas atrizes, ele diz: "Esse reconhecimento foi muito importante para todos nós. Adèle e Léa foram de uma entrega excepcional. Tem horas que me sinto um voyeur, de tão forte que é o elo entre as duas." Azul É a Cor Mais Quente estreia em São Paulo, Rio e mais algumas capitais. Um fecho de ouro para 2013, avalizado por Steven Spielberg, que presidia o júri que outorgou o grande prêmio de Cannes, em maio, a Kechiche e suas (belas) estrelas. Adèle Axerchopoulos promete voltar ao Brasil no ano que vem, na Copa, com mais tempo. Virá com o namorado, ator no filme. "Não é pelo futebol, é pelo país, que realmente me fascina", confessa.

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