REUTERS/Fred Thornhill
REUTERS/Fred Thornhill

Kate Winslet filma entre a alegria e o terror, com dois filmes a serem lançados este ano

Atriz temia não dar conta de fazer ‘Wonder Wheel’, de Woody Allen

Entrevista com

Kate Winslet

Melena Ryziksept, The New York Times

25 de setembro de 2017 | 06h00

Kate Winslet é o tipo de pessoa que leva trabalho para casa. A atriz atua em dois filmes a serem lançados este ano, que atormentaram suas noites.

Depois de filmar The Mountain Between Us (Depois daquela montanha) em que ela e Idris Elba interpretam um casal preso numa montanha gelada e isolada depois da queda do avião em que viajavam, Kate diz ter tido pesadelos com seus filhos presos no gelo. Pesadelos que até agora subsistem. E por motivos diferentes ela também perdeu o sono durante as filmagens de Wonder Wheel, de Woody Allen, ambientado em Coney Island nos anos 50, em que ela se vê presa num casamento frustrante e um emprego sem futuro como garçonete em uma casa de má fama, onde chegam os gângsteres e Justin Timberlake é um carismático guarda-costas. “É uma personagem que não só não se revela de verdade, mas fica totalmente destroçada pelo que ocorre com ela no decorrer da história”, diz Kate.

Após Wonder Wheel, ela começou em seguida a trabalhar em The Mountain Between Us, dirigido por Hany Abu-Assad, filmado nas montanhas do Canadá. “Seguíamos para o set de filmagem todos os dias de helicóptero. É uma região de montanhas muito altas, e fazia muito, mas muito, frio, 36 graus negativos.” E foi o que a atraiu. “Você tem um sentimento de satisfação depois de ter tido três filhos, estar com 41 anos e se sentir mais em forma e mais forte do que nunca. E sentir que faz um bom uso dessa força física”.

Kate Winslet falou conosco por telefone de sua casa na costa sul da Inglaterra, sobre o terror e o entusiasmo de trabalhar com Woody Allen. Embora tenha sido um ano intenso, ela disse estar muito animada. Alguns trechos da entrevista:

Por que encarar um teste de resistência como em Mountain Between Us?

Sinto-me muito mais atraída quando as circunstâncias são extremas do que quando o caminho é fácil, tranquilo. É um desafio, e faz algum tempo desde que fiz um filme que exigisse tanto esforço físico, resistência e dedicação, além de ter de vencer o medo todos os dias. Gosto mais do frio do que o calor. Se o roteiro fala em “um dia de calor abrasador numa praia no Taiti”, fico bem menos interessada.

O que foi aterrador nesse filme?

Eram seis cenários diferentes, dependendo de onde os helicópteros podiam voar no dia, de acordo com o clima – ventos fortes, nevascas. Frio intenso. Eu levava 45 minutos para me vestir pela manhã, colocava abrigo térmico por baixo da roupa, para não parecer um boneco da Michelin. E ainda colocava bolsas térmicas, três nos braços, outras no peito. E elas esfriam rapidamente quando você está em grande altitude. Houve momentos em que não sentia os dedos dos pés e tinha de parar por uma hora com os pés envolvidos nas luvas de alguém. Era uma luta pela sobrevivência.

Aposto que muitas pessoas ficariam empolgadas de se verem abandonadas numa montanha com Idris Elba.

Claro! Nunca havia trabalhado com ele. Fiquei realmente empolgada com o enorme desafio de colocar dois atores na tela durante toda a duração do filme. Foi muito bom o fato de não nos conhecermos. Descobrimos muita coisa um sobre o outro. Ambos somos bons em entender o que a outra pessoa está pensando e precisando.

Prefere interpretar personagens fortes em momento de vulnerabilidade ou pessoas vulneráveis que encontram força?

Gosto de personagens que não temem mostrar suas fraquezas. Acho que as pessoas costumam me associar a personagens fortes, mas é muito interessante interpretar uma personagem vulnerável. Nada me entusiasma mais do que ler um roteiro e pensar: como devo interpretar esse papel? Quando li o roteiro de Woody Allen achei que não conseguiria. Fiquei em minha casa lendo durante uma hora, em estado de choque e pânico. Mas essa é a melhor sensação porque o terror, às vezes, é o maior desafio de todos.

O que a incentivou a interpretar a personagem?

Pensei que provavelmente não teria outra oportunidade de trabalhar com Woody Allen, de modo que seria agora ou nunca. E era um papel extraordinário, não estava acreditando que ele havia me escolhido. Sabia que meus pais ficariam muito orgulhosos com o fato de eu trabalhar com Woody Allen. Minha mãe morreu em maio. Diariamente eu telefonava para casa e ela queria saber tudo sobre o dia de gravação. Foi muito importante para ela nos seus últimos meses de vida. Estou grata por isso.

A filmagem correspondeu às suas expectativas?

Adorei cada segundo. Essas histórias que você lê sobre Woody ser uma pessoa distante, não conversar com as pessoas, não são verdadeiras. Ele se empenha completamente e é um bom diretor. Ensaiávamos cada cena durante a maior parte da manhã e depois começava a filmagem. E eram cenas de 11 ou 12 páginas que filmávamos de uma só vez. Foi a mais aterradora experiência da minha vida. Acordava no meio da noite transpirando, pensando no dia seguinte.

Você atua desde a adolescência. Quando começou pensava muito em uma longa carreira?

Quando comecei, não conseguia acreditar quando era escalada, só depois do quarto ou quinto filme. Observava atrizes jovens que surgiam e desapareciam. Sempre achei que você tem de ir a fundo e trabalhar duro. Não arrisco. Em termos de longevidade na carreira, sempre tenho esperança de ser convidada de novo, porque adoro atuar. 

/Tradução de Terezinha Martino

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