"Kate & Leopold": comédia à antiga, sem o charme das comédias antigas

Quando esteve no Brasil há dois anos, como parte da campanha promocional de X-Men, o australiano Hugh Jackman disse que estava encantando com o filme que ia fazer. Achava o roteiro ótimo e sua companheira de elenco bárbara. Ela é Meg Ryan, aquela que fez história ao simular um orgasmo na mesa do restaurante em Harry e Sally - Feitos Um para o Outro. Você pode achar irrelevante, mas não é. Em tempos bicudos de aids, Meg, naquela cena, é a prova viva de que ninguém precisa correr riscos no sexo para ter prazer. A busca de um prazer seguro não deixa de ser o tema de Kate & Leopold, o filme que encantou Hugh Jackman. É uma comédia romântica. É bobinho a mais não poder, o que não quer dizer que não possua certo encanto muito frágil. Na quarta, Dia dos Namorados, as salas que exibiram o filme em pré-estréia (na verdade, estréia) lotaram de casaisinhos apaixonados, que só precisavam do escurinho do cinema para trocar juras de amor. Na história, Meg é uma típica executiva na Nova York atual. Vive pelo e para o trabalho. Os homens que convivem com ela chegam a esquecer que é mulher. É o que o chefe diz para ela, logo no começo. Meg, a personagem, não a atriz, parece um homem. Entra em cena Hugh Jackman, o Wolverine, para nos lembrar que ela é mulher (e como!). Só que a coisa não é assim tão simples. Jackman desembarca em Nova York viajando no tempo. É um homem do século passado. Melhor dizendo, de dois séculos passados. Traz para a Manhattan contemporânea códigos de cavalheirismo há muito esquecidos. No início, Meg pensa que ele é maluco, que aquela história de dizer que veio do passado é coisa de lunático. Termina convencida de que é verdade. E mais. Quando Jackman volta ao seu tempo para escolher a mulher com quem vai casar-se... É melhor não antecipar o desfecho, mas, sim, que o túnel do tempo permite a mão dupla. Sacou? Cabe ainda uma palavrinha sobre o diretor James Mangold. É o mesmo que fez Copland e Garota Interrompida. Um thriller com Sylvester Stallone sobre corrupção policial, um drama com Winona Ryder como jovem perturbada que vai parar num instituto psiquiátrico. Copland ficou famoso porque Stallone, querendo provar que é ator, engordou, e a conseqüência é que até hoje perdeu a forma sem convencer ninguém da sua habilidade em transmitir emoções. No filme com Winona, quem ganhou o Oscar de coadjuvante foi Angelina Jolie, como a rebelde da história. Em comum, todos têm a platitude. Mangold parece que vai injetar sangue novo em gêneros tradicionais. Sua comédia romântica baseada na Hollywood dos anos 1940 consegue mostrar apenas que os filmes antigos continuam insubstituíveis.Serviço - Kate & Leopold (Kate and Leopold) ?Comédia. Dir. James Mangold. EUA/2001. Dur. 131 min. Livre.

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