Justiça arquiva caso que inspirou "Mar Adentro"

A Justiça espanhola arquiva o processo com acusações contra Ramona Maneiro, a mulher que ajudou o tetraplégico espanhol Ramón Sampedro a suicidar-se, no caso que inspirou o filme Mar Adentro, do diretor chileno Alejandro Alménabar e que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. A informação foi divulgada hoje pela imprensa espanhola. A Justiça havia reaberto a investigação sobre as circunstâncias da morte de Sampedro no dia 11 de janeiro, a pedido do Ministério Fiscal, depois de Ramona ter falado na televisão que foi ela quem forneceu o cianureto que matou Sampedro em 12 de janeiro de 1998. Ele foi o primeiro espanhol a pedir judicialmente o direito à eutanásia.Ramona decidiu falar em público sobre o caso, depois que o filme despertou novamente a polêmica sobre a eutanásia na Espanha.Uma juíza de La Coruña, na Galícia, noroeste da Espanha, que foi encarregada do caso decidiu arquivá-lo por considerar prescritos os acontecimentos.Tetraplégico aos 25 anos, após sofrer um mergulho de cabeça no mar, Ramón Sampedro, interpretado magistralmente pelo ator Javier Bardem no filme, tentou durante muitos anos que a Justiça concedesse a ele o direito de morrer.Finalmente, ele concebeu um plano para colocar fim a sua vida, ingerindo cianureto, graças à ajuda de várias pessoas. A investigação aberta após sua morte, não chegou a nenhuma conclusão.Ramona Maneiro, de 44 anos, confessou em programa da cadeia de televisão Telecinco ter ajudado Sampedro a morrer "por amor". "Ele me dirigia, eu era suas mãos", disse na ocasião, acrescentando que o cianureto não deu a ele a "morte ideal de que ele tanto falava".

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