Jurassic Park volta mais dark

Importado da província chinesa de Liaoning e com idade entre 124 a 147 milhões de anos, o fóssil de um pequeno dinossauro, da mesma família do Tiranossauro-Rex, é uma das principais atrações do momento do Museu de História Natural, em Nova York. O predador, poucos centímetros maior do que um pato, também guardava outra semelhança com esse bípede: penas. A descoberta dos paleontólogos chineses coloca um ponto final na discussão de que os pássaros são descendentes dos dinossauros. O diretor Steven Spielberg sempre quis brincar com essa teoria. Sem penas aparentes, com uma estrutura óssea cinco vezes maior que a descoberta chinesa e uma fúria assustadora, os pteranodontes, ou os dinossauros-voadores, são uma das grandes atrações de Parque dos Dinossauros 3 (Jurassic Park 3), a continuação dessa milionária franquia cinematográfica criada por Spielberg em 1993 e, cujo segundo episódio (de 1997), ainda detém o recorde da maior bilheteria de abertura da história do cinema americano: US$ 90,7 milhões em cinco dias. Essa terceira versão, mais dark, mais assustadora e com roteiro como ponto fraco, chega amanhã aos cinemas brasileiros, dois dias depois da estréia americana. Os pteranodontes são responsáveis por uma das seqüências mais impressionantes do filme. O garoto Eric (interpretado por Trevor Morgan, o filho de Mel Gibson em O Patriota) vai parar no meio de um ninho desses bichões com asas. Depois de escapar com certa dificuldade da bicadas das pequenas criaturas, recém-nascidas, Eric é perseguido pela mãe deles em tomadas aéreas eletrizantes. Spielberg usou um pteranodonte no final de Jurassic Park 2. Mas quem fez mesmo esses dinos brilharem em vôos rasantes foi o diretor Joe Johnston. Por estar envolvido com dois filmes - A.I. - Inteligência Artificial, que acabou de estrear nos cinemas americanos, e Minority Report (que ele filma no momento) - o diretor de E.T. - O Extrarrestre passou o bastão para um dos cineastas de seu círculo de amizade. Johnston já havia dirigido sucessos como Querida, Encolhi as Crianças, Jumanji e um dos filmes preferidos de Spielberg, O Céu de Outubro. "Trabalhamos com Johnston desde Os Caçadores da Arca Perdida, quando ele era técnico de efeitos especiais", diz Kathleen Kennedy, produtora de quase todos os filmes de Spielberg, em entrevista ao Estado. "Era um sonho para Johnston poder vir a dirigir um dos episódios de Jurassic", conclui. Jurassic Park 3 marca o retorno do ator neozelandês Sam Neill ao papel do famoso paleontologista Alan Grant. Ausente do segundo filme, a volta do cientista foi um dos pedidos especiais de Spielberg a Johnston. Mas o primeiro surgiu com a idéia de colocar Dr. Grant como morador da Ilha Sorna, na Costa Rica, como uma espécie de Robinson Crusoé, sugestão retrabalhada por Johnston com a ajuda de dois roteiristas: Alexander Payne (de A Eleição) e Peter Buchman, autor teatral. "Sem fazer demagogia, esse é meu filme preferido e o que explora mais meu personagem", disse Neill sentado no estúdio número 12 do lote da Universal, na Califórnia, e onde foram rodadas algumas das cenas desta produção. A história do filme - O paleontólogo vai parar na Ilha Sorna, graças à confusão de novos personagens. O casal Paul e Amanda Kirby (William H. Macy e Téa Leoni) tem o filho perdido na ilha. Para convencer Dr. Grant a voltar ao lugar que ele jurou nunca mais colocar os pés, eles se fazem passar por um casal de milionários excêntricos que querem comemorar o aniversário da mulher sobrevoando o território dos dinos. Para isso, estariam dispostos a assinar um cheque polpudo, que o cientista vê como bem-vindo para seu projeto de estudo sobre a inteligência dos velociraptores. Como ajudante, o Dr. Grant carrega um de seus protegidos, Billy Brennan (Alessandro Nivola). Mas o "passeio" acaba em tragédia, quando o pequeno avião que os leva cai no meio da selva. "Depois de fazer a queda, ainda tivemos de lidar com um dinossauro nos atacando. Foi a cena mais difícil de ser feita de toda minha carreira", explica Téa Leoni, a mulher de David Duchovny (ex-Arquivo X e do atual Evolução, filme em cartaz nos cinemas). Seguir os passos de Spielberg não é fácil, ainda mais numa franquia cinematográfica de sucesso como Jurassic Park. Os problemas do terceiro filme começaram com o roteiro, que não ficou pronto a tempo. A razão é que as filmagens foram antecipadas. Num desabafo que hoje lamenta, principalmente por ter ganho grandes proporções na Internet, William H. Macy, um dos atores preferidos do cineasta e dramaturgo David Mamet, reclamou de não ter um texto pronto à mão. "Quem lançou um navio de US$ 100 milhões sem leme? Que tipo de idiota é esse? E quem está sendo demitido por isso?", teria desabafado o ator durante as filmagens. "Minhas declarações saíram fora de contexto", diz Macy, agora apaziguando os ânimos. "Reclamei do roteiro, sim, mas o quadro não foi tão ruim como eu havia pintado inicialmente." Para cravar sua marca pessoal em Parque dos Dinossauros 3, Johnston surgiu com uma nova idéia: "Quando eu estava preparando o filme, consultei nosso paleontólogo-residente (o famoso Jack Horner, que já havia assessorado Spielberg nos dois primeiros filmes) e disse: ´Nós já vimos muito do T-Rex. Precisamos nos livrar dele´." Coisa de museu - A sugestão de Horner foi o Espinossauro, um espécime que havia sido recentemente descoberta. Os espinossauros eram ainda maiores que os T-Rexes. Só para se ter uma idéia, um tiranossauro media cerca de 13 metros, ante os 17 metros dos espinossauros. "O espinossauro foi descoberto no começo do século passado, mas o único exemplar estava num museu da Alemanha, destruído durante a 2.ª Guerra Mundial", explica Stan Winston, o mago dos efeitos especiais, vencedor de quatro Oscars e que criou a versão robotizada dos dinossauros em látex. "Eles eram uma espécie perdida até que, 12 anos atrás, foram novamente redescobertos em escavações no deserto." Assim, Winston e os magos de efeitos por computadores estariam criando o maior monstro já visto na tela de cinema. E, com dois monstrengos no mesmo filme, nada mais do que oportuno para Johnston do que criar algo comum nas produções de Godzilla: duas criaturas pré-históricas de digladiando. Os efeitos especiais exigidos apenas pelos dinossauros no segundo Jurassic Park foram um total de 50. Agora, no filme 3, foram necessários 170 deles. "Dessa vez, os atores não precisaram atuar muito nas cenas em que deveriam parecer aterrorizados. Com os dinos robotizados que criamos, eles naturalmente ficaram com medo", brinca Winston.

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