Jurados de Cannes explicarão suas decisões ao público

De Salma Hayek a Emir Kusturica, os jurados da Palma de Ouro 2005 do Festival de Cannes dirão neste domingo como e porque deram o prêmio a "L´Enfant". A arriscada fórmula consiste em colocar o júri diante da imprensa internacional reunida em Cannes, onde estão mais de 4.000 jornalistas de todo o mundo. O júri do 58º Festival de Cannes foi presidido pelo diretor e músico bósnio Emir Kusturica. Poderosa personalidade que, além de inflamar uma das primeiras noites do festival com um show de sua banda de rock balcânico, não parou de repetir que se sentia o "comandante" do navio. "Tenho problemas para ser um democrata, porque a natureza do cinema não é algo que tem a ver com a democracia", disse o cineasta, que também não escondeu seus contatos com o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic. Kusturica é autor de filmes sempre badalados, como "Quando papai saiu em viagem de negócios" (1985), sua primeira Palma de Ouro, "Vida cigana" (1988), prêmio como melhor diretor em Cannes, além do controverso "Underground" (1995), parábola sobre a história da Iugoslávia, que o valeu sua segunda Palma de Ouro. Minutos antes da entrega da Palma de Ouro, o diretor admitiu ontem a "dificuldade" que foi ser o "comandante" e "harmonizar nove pessoas". "Agora vejo o que é ser presidente de um país", exagerou. De qualquer maneira, os resultados não escaparam de Kusturica. Como ficou refletido na beleza e no humanismo dos filmes escolhidos, nos quais a violência, se existiu, nunca foi mais do que um simples assessório. Tudo contrasta com os filmes premiados em 2004 - incluindo a Palma de Ouro de Michael Moore - pelo júri presidido pelo diretor americano Quentin Tarantino, que inaugurou a estratégia da entrevista coletiva final. Como prometera, Kusturica tentou que os membros do júri estivessem pendentes do que "saía de seus corações" e concentrados, "principalmente, nas questões relacionadas à estética". Os escolhidosNeste domingo, acompanharão Kusturica os atores Javier Bardem (Espanha), Salma Hayek (México), Nandita Das (Índia), a vencedora do prêmio Nobel de Literatura Toni Morrison (EUA) e os produtores Agnés Varda (França), Benoit Jacquot (França), Fatih Akin (Alemanha) e John Woo (China). Juntos contarão o que os levou a introduzir ou reintroduzir no Olimpo cinematográfico os diretores irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne (Bélgica), Jim Jarmusch (EUA), Michael Haneke (Áustria), Wang Xiaoshuai (China), Tommy Lee Jones (EUA), como melhor ator, o roteirista Guillermo Arriaga (México), a atriz israelense Hanna Laslo e os irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne (Bélgica). Juntos deverão explicar por que deixaram de fora filmes como "Last Days", de Gus Van Sant (EUA), e "Batalla en el cielo", do mexicano Carlos Reygadas, cujas ousadias visuais e estilísticas causam sensação entre uma parte nada desdenhável da crítica francesa mais influente.

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