Julie Christie é paciente com Alzheimer em 'Longe Dela'

Cercada por um elenco competente, atriz canadense Sarah Polley faz uma estréia promissora na direção

Alysson Oliveira, da Reuters,

08 de maio de 2015 | 12h46

Os mistérios que existem por trás da mente humana e do casamento são a força que guia Longe Dela, que chega aos cinemas de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Santos e Curitiba nesta sexta-feira, 16.     Veja também: Trailer de 'Longe Dela' O drama marca a estréia na direção da atriz canadense Sarah Polley (O Doce Amanhã, Minha Vida Sem Mim), e apresenta ao mundo uma cineasta jovem que dirige com a segurança de veteranos, e com a coragem de abordar um tema complexo. A atriz inglesa Julie Christie, dona de uma reconhecida carreira de mais de 40 anos, que inclui filmes como Doutor Jivago e Em Busca da Terra do Nunca, parece ter sido redescoberta com seu trabalho nesse filme. A interpretação lhe rendeu sua quarta indicação ao Oscar - ela perdeu para a francesa Marion Cotillard, de Piaf - Um Hino ao Amor - além de um Globo de Ouro, entre outros prêmios. Esse merecido reconhecimento decorre da emoção que ela transmite para interpretar Fiona, uma mulher que está perdendo contato com a realidade por causa do mal de Alzheimer. Ela começa a fazer coisas estranhas, como não encontrar o caminho de casa ou guardar uma frigideira no freezer. "Parece que estou sumindo aos poucos", confessa. E seu casamento com Grant (Gordon Pinsent, de Chegadas e Partidas) segue o mesmo caminho. O roteiro - assinado pela diretora e indicado ao Oscar - utiliza a mesma narrativa fragmentada do conto The Bear Came Over the Mountain, de Alice Munro, no qual é baseado. Por isso, depois que Fiona já está internada numa clínica onde receberá os devidos cuidados, descobre-se que o casamento que parecia tão perfeito escondeu algumas mentiras ao longo dos anos. Em alguns momentos, em suas visitas diárias, Grant desconfia de que Fiona possa estar fingindo, apenas para puni-lo por aventuras do passado. E ela acaba se "apaixonando" por Aubrey (Michael Murphy), outro paciente da clínica que vive numa cadeira de rodas e não consegue falar. Essa nova amizade desperta ciúme, sentimento que parece nunca ter existido, em Grant. Aubrey, descobre-se, também é casado e a mulher dele (Olympia Dukakis, de Eu e as Mulheres) não gosta muito do que está acontecendo entre ele e Fiona, para quem a perda do "novo namorado" pode ser extremamente dolorosa. Caberá a Grant um ato de extremo altruísmo para preservar sua mulher. Com um tema tão pesado e calcado exclusivamente nos personagens, Longe Dela poderia facilmente transformar-se num dramalhão choroso e superficial. Mas a canadense Alice Munro não é uma escritora dada a esse tipo de tratamento. A força de suas histórias está nos detalhes e nas sutilezas dos relacionamentos humanos. E é exatamente nisso que Sarah procura destacar no filme. Longe Dela é um filme que fala sobre amor e casamento com honestidade pouco vista no cinema nos últimos tempos. Cercada por um elenco competente, Sarah Polley faz uma estréia promissora na direção com um filme inteligente e ao mesmo tempo sensível.

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