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Julie Andrews compartilha sua visão de bastidores da sequência de abertura de 'A Noviça Rebelde'

Confira trecho do livro 'Home Work: A Memoir of My Hollywood Years', em que atriz relembra filmagens

Redação, The New York Times

15 de outubro de 2019 | 11h53

Abaixo, trecho do livro Home Work: A Memoir of My Hollywood Years, em que Julie Andrews relembra a filmagem da icônica sequência de abertura do filme A Noviça Rebelde.

"Ironicamente, grande parte da sequência de abertura do nosso mágico filme foi a última coisa que filmamos na Áustria. Robert Wise, nosso diretor, imaginou uma filmagem aérea a partir de um helicóptero que iria me descobrir – uma manchinha na vasta paisagem alpina – caminhando na direção da câmera. Ele selecionou uma linda área do campo no alto das montanhas, com árvores dos dois lados. Nossos enormes alto-falantes estavam camuflados em meio às árvores, como também a equipe de filmagem, de maneira que não se via ninguém.

Eu fiquei numa ponta daquele campo. O helicóptero sobrevoaria atrás das árvores na outra extremidade, esperando que eu começasse minha caminhada na direção da câmera. Inicialmente não consegui ouvir minha deixa pois a voz do pessoal da equipe técnica era abafada pelas árvores. Mesmo o playback no volume mais alto possível, era quase inaudível por causa do ruído do helicóptero. Finalmente Marc Breaux pegou um megafone e  gritou “Vai, Julie!”.

Comecei minha caminhada, e então o helicóptero subiu. Chegou até mim lateralmente, parecendo um caranguejo gigante. Um corajoso cameraman chamado Paul Beeson estava pendurado nele, amarrado precariamente do lado onde estaria uma porta, os pés pousados no trem de pouso e, preso a ele, estava o pesado equipamento de filmagem. À medida que o helicóptero se aproximou, abri meus braços como se começasse a cantar. Tudo o que eu tinha de fazer era caminhar, rodar e respirar. O que exigiu várias tomadas de modo a  assegurar que tanto o helicóptero como eu tivéssemos nossas marcações corretas, a câmera estava no foco e que não havia nenhuma sombra do aparelho e tudo cronometrado. Uma vez concluída a cena, o helicóptero subiu e girou em torno de mim para retornar à sua posição inicial. Nesse ponto, voltei à ponta do campo para começar tudo novamente até Bob ficar satisfeito e achar que a tomada estava perfeita.

O problema era que, quando terminei a cena e o helicóptero levantou, o vento provocado pelo motor do aparelho era tão forte que me derrubou no chão. Eu me arrastei, cuspindo lama e grama e limpando meu vestido, e retornei à minha posição inicial. E, cada vez que o helicóptero me circundava, eu caía novamente.

Fiquei cada vez mais irritada - será que eles não viam o que estava ocorrendo? Tentei indicar a eles para fazerem um círculo maior à minha volta. Eu via o cameraman, o piloto e nosso diretor da segunda unidade a bordo, mas o que conseguia era um gesto de aprovação e um sinal para fazer tudo de novo. Finalmente, a cena foi considerada aceitável e dei graças ao chegar ao meu hotel e tomar um longo e quente banho.

Mas, em grande parte por causa do clima, estávamos três semanas atrasados, o orçamento havia estourado e o estúdio chamou o resto do elenco de volta para Los Angeles. Tentamos gravar a próxima seção da música durante vários dias, mas a chuva implacável prejudicou nossas tentativas. Dia após dia esperamos por um pouco de sol entre as nuvens, todos resfriados, molhados e ansiando para voltar para casa.

Havia ainda algumas cenas para gravar, uma vez que cada segmento da música em si já era uma pequena cena. O riacho, por exemplo, era artificial, cavado pela nossa equipe, revestido de plástico, com água, pedregulhos e samambaias. O fazendeiro que nos acolheu perdeu a paciência conosco, dizendo que a presença da equipe de filmagem estava perturbando a produção de leite das vacas. E, durante a noite, ele espetou uma forquilha no revestimento de plástico várias vezes de modo que toda água escorreu. Bob ficou devastado – os chefões da 20th Century Fox estavam insistindo para ele concluir a filmagem, mas não tinham a mínima ideia dos obstáculos que ele estava enfrentando.

Finalmente, ele prometeu ao estúdio que, se não conseguisse ter a última cena que estava esperando, voltaria a Los Angeles com toda a companhia no dia seguinte. Por algum milagre, naquele dia, as nuvens partiram por cerca de meia hora, o sol brilhou e gravamos a cena. Mais tarde, Bob disse que aqueles constantes 'cumulonimbus' se contrapondo aos magníficos Alpes deram ao filme a dramaticidade e autenticidade necessárias – algo que de outra maneira não teríamos conseguido."

Do livro Home Work de Julie Andrews

Julie Andrews é uma atriz premiada com o Oscar , com filmes como “Mary Poppins," "A Novição Rebelde" e "Victor ou Victoria." Hamilton, com sua mãe, Julie , escreveu mais de 30 livros para crianças e jovens adultos. /Tradução de Terezinha Martino

Relembre a cena

 

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