Jovem cineasta reúne Fábio Assunção e Malu Mader

Depois da temporada no Rio de Olé Um Movie Cabra da Peste (com estréia em São Paulo prevista para setembro), o diretor Roberto Santucci Filho, um carioca de 33 anos que estudou cinema em Los Angeles, fala sobre seu próximo filme, já iniciado, Bellini e a Esfinge, policial baseado no romance homônimo de Tony Belloto, dos Titãs. E conta sua trajetória de cineasta jovem bem sucedido.Olé chama a atenção por ser uma espécie de El Mariachi verde-amarelo, ou seja, a exemplo do filme de Robert Rodriguez, uma produção baratíssima (não teria passado dos US$ 24 mil, segundo os produtores) que se destaca pela criatividade. O filme foi todo rodado em Los Angeles, em película de 16 milímetros, sem autorização da prefeitura (lá, isso é importante). Conta a história de um professor de inglês nordestino que vai aos EUA em busca da irmã desaparecida, mas acaba envolvido em um esquema marginal. "As pessoas mitificam muito essa coisa de que Hollywood é a terra das superproduções, mas lá você convive com as duas pontas: o cinema milionário e o artesanal, como Olé, explica.Segundo Santucci, o fato de Los Angeles ser a meca do cinema facilita as coisas. "Lá, é difícil encontrar alguém que nasceu na cidade, pois quase todos são de fora e a maior parte é de pessoas que foram tentar fazer cinema." Com isso, é possível trombar com bons atores, diretores e técnicos em busca de uma chance. "É só procurar que aparece muita gente boa, disposta a trabalhar de graça, se for por um bom projeto." Foi assim que ele montou uma equipe de atores sem pagar um tostão, alugou uma câmera por duas semanas e colocou tudo numa velha Kombi. "Nosso lema passou a ser: se não cabe na Kombi, está fora do filme", brinca.As cenas de rua, com multidões, são um detalhe à parte. "Em Los Angeles, as pessoas estão tão acostumadas com filmagens que nem reparam mais quando alguém está na rua com uma câmera." Por conta dessa indiferença, as tomadas na rua acabaram saindo melhor do que a encomenda.Hollywood - Santucci foi a Los Angeles fazer um curso de três meses sobre cinema na UCLA, a principal universidade da Califórnia. Gostou tanto que acabou ficando dois anos, obtendo o certificado de cinema e televisão. Os amigos que fez na cidade abriram-lhe as portas para trabalhar como assistente de montagem em filmes americanos importantes, como Lendas da Paixão e Código de Honra. "Essa experiência, para mim, foi mais importante que o curso, pois me possibilitou trabalhar com profissionais de alto nível."O trabalho também serviu para desmistificar a imagem que ele tinha de Hollywood. "Descobri que, para fazer cinema, não é preciso ser um grande intelectual, mas basta ter paixão pela sétima arte.""Em Hollywood, quem sabe contar bem uma história com imagens é muito respeitado", garante Santucci. Edward Zwick, diretor de Lendas da Paixão, apesar de trabalhar em um filme tido como superprodução, tinha de se desdobrar, para conseguir bons resultados. "Ele dizia que Lendas era um pobre filme rico, pois os salários de Brad Pitt e Anthony Hopkins consumiram boa parte do orçamento e o que sobrou mal dava para o gasto", lembra. "Mesmo com poucos recursos, ele fez um trabalho admirado pelos produtores."Santucci é um cineasta com predileção pelas situações de pessoas que precisam sobreviver em hábitats adversos. Seu primeiro curta, Helpless (1994), foi rodado na Califórnia e conta a história de um velho mendigo e um rapaz mimado que lutam para escapar do deserto, no Vale da Morte. Já Bienvenido a Brasil, rodado em 1995, conta a história de um turista americano que sonha com a viagem ao território brasileiro, mas acaba em Buenos Aires, que ele considerava a capital do Brasil. Olé, por sua vez, mostra um nordestino perdido em Los Angeles. Já em Bellini e a Esfinge, ele vai mostrar as desventuras de um detetive que cai no submundo da prostituição, na cidade de São Paulo.Helpless foi feito como trabalho de conclusão do curso de cinema da UCLA e, apesar de ser o primeiro trabalho, já dava sinais de criatividade. A começar por escolher um mendigo de verdade para fazer o papel de mendigo, ao lado de um ator americano, no papel de um garotão motoqueiro, que vê sua moto quebrar em uma estrada no meio do deserto. "O mendigo acabou se saindo muito bem e é o grande destaque do curta", conta Santucci. "O problema é que ele realmente bebia demais e acabou criando confusões, mas nada que chegasse a prejudicar os trabalhos", completa.Bellini - Seu próximo filme, Bellini e a Esfinge, é um velho sonho do produtor Teodoro Fontes, que adorou a linguagem usada por Tony Belloto e há três anos adquiriu os direitos de filmagem. O projeto esteve ameaçado quando o irmão de Teodoro, o ator e diretor Guilherme Fontes, teve problemas com seu filme Chatô, o Rei do Brasil. "Perdi alguns patrocinadores, mas a maioria percebeu que, contra o meu irmão, não havia nada além de especulação e, principalmente, que eu não tenho nada com isso", conta Teodoro.Superados os problemas, o astral da equipe é o melhor possível. "Montamos uma equipe muito afinada e todos estão empolgados com o projeto", garante Santucci. Ele mesmo está disposto a dar o máximo de verossimilhança aos personagens. Para tanto, contratou a assessoria de um detetive. "Quero conhecer bem as artimanhas de um detetive brasileiro e não copiar modelos americanos." Da mesma forma, vem procurando freqüentar a noite barra-pesada paulistana. "Converso com todo tipo de gente, para saber como agem, entender o que pensam, enfim, tudo que possa tornar o filme o mais realista possível."Bellini e a Esfinge tem no elenco Fábio Assunção e Malu Mader e cenas rodadas na região central de São Paulo. O autor do livro, Tony Belotto, acompanha as filmagens de perto. "No acordo de cessão dos direitos, combinamos que eu acompanharia, para garantir que o filme tivesse alguma fidelidade em relação ao livro", explica.

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