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'A Travessia', com Joseph Gordon-Levitt, mostra a história de um homem e sua obsessão

Longa conta a história real de Philippe Petit, que sonha em se equilibrar por um cabo de uma torre a outra do World Trade Center

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2015 | 15h32

CANCÚN - Um homem e sua obsessão. Ou um homem e seu sonho. Ou, ainda, um homem e sua perdição. A Travessia, novo filme de Robert Zemeckis, responsável por longas icônicos tais quais Forrest Gump: O Contador de Histórias e a trilogia De Volta Para o Futuro, deixa a fantasia de lado para contar a história real de Philippe Petit, um francês que foi a Nova York em 1974 com um objetivo: atravessar as duas torres do World Trade Center equilibrando-se em um cabo. 

A façanha de Petit, aliás, não autorizada, na época, ganhou vida recentemente através do documentário O Equilibrista (Man on Wire, de 2008), vencedor do Oscar de melhor documentário, mas há poucos registros dos oito passos dados pelo francês no topo do mundo. O desafio encarado por Zemeckis foi, justamente, conseguir recriar a caminhada e, principalmente, a vertigem sentida por quem está a 400 metros acima do chão. 

"Começamos a pensar nisso em 2006, ou seja, há muito tempo", disse o vencedor do Oscar de melhor diretor por Forrest Gump. "Foi nessa época que começamos a negociar com os personagens. O que eu amo é que esta é uma história que deveria ser transformada em filme. Deveria haver uma experiência cinematográfica. Minha ideia era que a gente pudesse experimentar como andar em um cabo esticado tão alto e sentir o que o artista sentiu." 

Joseph Gordon-Levitt foi escalado para interpretar o francês e, como mostram os vídeos exibidos em Cancún, na convenção da Sony Pictures para divulgar os próximos lançamentos diante da imprensa internacional, ele faz um trabalho razoável em emular o sotaque de Petit. 

O ator contou em entrevista coletiva que Philippe insistiu para ensiná-lo a andar sobre o cabo. "Ele me disse: em oito dias você estará andando. E, oito dias depois, eu estava", relembra. "Philippe achou um armazém antigo, montou o cabo e ficamos treinando. Foi uma atividade viciante. Quando se está lá, sua cabeça não consegue ir para outro lugar. Há uma emoção, um reforço positivo. Eu realmente amei aquilo." 

A Travessia envolve mais do que a experiência cinemática da arte de Philippe - que, aliás, foi preso após atravessar as torres, mas as queixas foram retiradas e ele concordou em se apresentar no Central Park. Além do medo e a vertigem que a câmera de Zemeckis é capaz de fazer, o longa promete ser mais profundo que uma experiência estética - embora o trabalho de 3D seja elogiado pelo elenco. 

O ator Ben Kingsley, também presente na conferência, interpreta Papa Rudy, mentor de Philippe, e diz que a experiência de assistir ao filme o fez esquecer, em dado momento, que estava diante de um longa com a tecnologia 3D. "É um filme muito corajoso. Muito contemporâneo. Não tem medo da tragédia, de um lado mais sombrio. Há uma certa restrição neste trabalho, você esquece que está assistindo ao filme 3D e, de repente toma um susto com algo que parece vir na sua direção", diz o vencedor do Oscar por Gandhi. "Mas estamos celebrando essa arquitetura. Aquelas duas torres conectadas por um cabo, com uma espécie de anjo no meio delas. Foi extraordinário. Foi ótimo trabalhar com Robert." 

Este ano é especial para o diretor - ou, de forma mais honesta, para os fãs dele. O dia 21 de outubro de 2015 marca a data do futuro para a qual o personagem Marty McFly, interpretado por Michael J. Fox, viajou em De Volta Para o Futuro 2, no filme de 1989. Naquele futuro, tênis calçavam os pés automaticamente, tecnologia em 3 dimensões eram vistas em todos os cantos da cidade e, claro, havia os hoverboards, aquela espécie de skate flutuador. Questionado sobre o que planejava fazer na data, Zemeckis, o único que não estava presente na coletiva e conversava por vídeo conferência, brinca. "Estarei em casa, analisando se minhas previsões foram acertadas ou não", diz ele, sucintamente. "Na verdade", responde Gordon-Levitt, "Já lançaram um Kickstarter (vaquinha virtual) para um hoverboard. É verdade, é uma realidade."

Zemeckis não é alguém que se prende a olhar para trás. Basta lembrar do silêncio e insanidade O Náufrago ou a revolução gráfica de Expresso Polar - ambos responsáveis por mudar as peças no tabuleiro de Hollywood, cada um a sua maneira. A reinvenção, neste caso, é a narrativa da vida do equilibrista francês. A forma de contar uma história cheia de tramoias e dar a ela um aspecto humano: um homem disposto a arriscar a sua vida pela arte. 

A Travessia estreia no Brasil em 8 de outubro. 

* O repórter viajou a convite da Sony Picures

 

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