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José Loreto interpreta José Aldo e ganha elogios do lutador

'Mais Forte Que o Mundo – A História de José Aldo' traz o ator na pele de um atleta com elogiadas cenas de ação

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2016 | 04h00

José Loreto anda na cola de Malvino Salvador. Interpreta o irmão do ator na nova novela das 7, Haja Coração, e Malvino faz par com Cléo Pires, que é a mulher de Loreto em Mais Forte Que o Mundo – A História de José Aldo. E, para incrementar ainda mais, Malvino havia sido a primeira escolha dos produtores para fazer o campeão de MMA e UFC no filme que estreia na quinta, 16. Não apenas Loreto sonhava com o papel desde que soube que haveria a cinebiografia como o próprio diretor Afonso Poyart também o via como José Aldo. O que é do homem o Diabo não come. Malvino partiu para outro compromisso e Zé Loreto aterrissou na pele de Zé Aldo.

Prepare-se – Loreto é tão intenso que depois de ver o filme você vai achar que ele nasceu para ser Zé Aldo. O filme tem recebido elogios como o do diretor Fernando Meirelles. Vale lembrar – quando se conheceram em Hollywood, Steven Spielberg (Spielberg!) revelou-se o maior fã de City of God/Cidade de Deus e foi logo fazendo a Meirelles a pergunta que não queria calar. Como ele filmou a perseguição à galinha? Foi o tipo da solução cênica improvisada por Meirelles com seu diretor de fotografia, César Charlone. A câmera foi colocada num cabo de vassoura e o cameraman ia enxotando a galinha. Spielberg (quase) não acreditou. Disse que em Hollywood só aquilo custaria milhões (de dólares).

Quem não tem muito dinheiro, tem de inventar. Meirelles tem elogiado as cenas de ação de Mais Forte Que o Mundo – A História de José Aldo. Palavras dele – “Uma boa cena de ação tem que combinar um bom roteiro da sequência, isso é, saber quem bate e quem apanha a cada momento. Precisa de boa coreografia para pensar como se bate e como se apanha. Boa interpretação e boa decupagem para que as porradas pareçam reais e doloridas. Fora isso, montagem precisa e efeitos sonoros. O Afonso combina todos estes elementos como um maestro. Há uma cena de briga num bar incrível. Vale ver. E Zé Aldo? Na pré-estreia paulistana de Mais Forte Que o Mundo, ele soltou o verbo – “Fiquei muito emocionado de ver um filme sobre a minha história. É um trabalho excelente feito pelo Afonso e eu só tenho que agradecer a ele e ao elenco. Acho que ficou uma história bem real. Fiquei feliz com a atuação do José Loreto, que se esforçou bastante, deu seu máximo e com certeza me senti muito bem representado. Nós convivemos durante dois anos, vimos o filme sair juntos, ele treinou na academia comigo, viajamos juntos. Foi um grande irmão que eu recebi na vida.”

Na entrevista que deu ao Estado, Poyart já havia dito, o que pode até parecer arrogante, mas não é. “Podem dizer o que quiserem dos meus filmes, mas uma coisa eu sei – sou bom de ação. Essas cenas exigem preparação, minúcia. A gente tem de filmar sabendo onde cada peça se encaixa, e isso eu não só sei fazer como gosto de fazer.” Loreto conta que Aldo (o filme) tomou um ano de sua vida. “Foram sete meses de muita preparação física. Sempre pratiquei esporte, lutava, mas aqui foi outra coisa. Ganhei massa muscular, fiquei sarado e até era capaz de encarar umas lutas.” A preparação física exigiu empenho, dedicação. Mas havia o outro problema. Chamada a preparar o elenco de Aldo, Fátima Toledo disse ao diretor – “Ele (Loreto) é muito bonzinho.” E o desafio proposto pelo roteiro do filme era fazer com Loreto expressasse a raiva, o ódio que queima Zé Aldo.

Família pobre, pai violento que bate na mãe. Loreto precisou encontrar esse Aldo brutal dentro dele. Ouvia do próprio lutador – “Tem de ser marrento.” O elogio de Zé Aldo cala fundo – “Todas as cenas com o meu pai trouxeram uma emoção muito grande, tudo o que fiz, que passei e o que tentei ser na minha vida foi graças a ele. Falar no meu pai, lembrar tudo o que a gente viveu junto e ver isso no cinema foi uma emoção muito grande.” Assim como tem cenas brutais, Mais Forte Que o Mundo tem a da declaração de amor e do pedido de casamento, coreografada como uma luta entre Loreto e Cléo Pires. O resultado é ótimo (e outra prova de que o cinema brasileiro aprendeu a fazer biografias). Exibe a sensibilidade à flor da pele de Loreto. Bem-casado (com a deusa Débora Nascimento), ele ama o trabalho, mas não é de ferro. A nova vida do lar, um bom filme, uma boa peça. A vida anda boa para Zé Loreto. Uma recomendação para seus fãs? “Além do Aldo? Vejam O Bonde Chamado Desejo.” A versão de quem? “A do Du Moscovis. Ainda não vi a com Juliano Cazarré, mas quero muito ver. Deve ser ótima, também.”

‘Adoro luta e me ofereci para estar nessa história’

Cléo Pires está na nova novela das 7, Haja Coração, e faz a mulher do lutador em Mais Forte Que o Mundo – A História de José Aldo, o longa de Afonso Poyart que estreia na quinta-feira, dia 16. A atriz fala do atual momento e do que está por vir, incluindo um site no qual promete opinar sobre ‘tudo’.

Como foi a sua preparação para fazer o filme? Só o roteiro lhe deu as ferramentas?

O roteiro me deu a vontade de fazer. Chegou na minha mão, eu li e me apaixonei. Liguei pro meu empresário e disse – ‘Quero fazer esse filme. Dá um jeito aí.’ A verdade é que me ofereci. Adoro luta e fazer parte dessa história tão bacana foi uma experiência forte, gratificante. O roteiro me deu a linha dramática e a gente ainda teve a preparação da Fátima Toledo. Mas a personagem também exigiu muita preparação física. Aprendi a lutar. Tomei porrada, me machuquei, mas valeu a pena. Vivianne (a personagem) luta, é poderosa. É uma das personagens mais exigentes que já fiz.

Você chegou a conhecê-la?

Não. Ao contrário do Zé (Loreto) que teve toda uma aproximação e até treinou com Zé Aldo, eu me mantive distante. Quer dizer, em termos. Porque eu quis saber mais sobre essa mulher tão faca na caveira. A Vivianne é f... O que fiz foi segui-la nas redes sociais. Descobri muito sobre sua força e coloquei na personagem, que é, claro, a minha interpretação dela. Soube que ela já viu (o filme) e anda me elogiando. Fico muito feliz. Houve entrega. Todo mundo fez o filme com muita garra, muita vontade. Afonso (o diretor Poyart) foi guerreiro. Espero que o público sinta isso.

Você já tinha passado por uma preparação na época de Operações Especiais...

Já, mas acho que não dá para comparar. Lá eu filmei mais, aqui menos, mas de qualquer maneira foi uma coisa muito intensa. Fiquei ligadona no filme, na personagem. O muay thai (modalidade de luta) me deixou mais sequinha, durona, mas isso foi só uma fase. Tenho de admitir que ando mais relaxada.

Rômulo Neto está no filme, na época, vocês estavam vivendo uma relação bem intensa. Com quem a Cléo está agora?

Comigo mesma. Acho que a gente precisa dessas fases. Estou adorando. Tenho ficado em casa, lido muito. Ando cheia de projetos. 

Que projetos são esses?

Fundamos uma produtora, Piny Montoro e eu. Compramos os direitos de um roteiro que pretendemos filmar logo. É uma atividade que está nos tomando bastante tempo. A empresa chama-se Jiraiya (em homenagem aos herói japoneses dos anos 1980) e o desenvolvimento do roteiro ainda prossegue. Tem também a Supermax, série de terror da Globo com formato de reality show, que estreia este ano. Estamos Mariana (Ximenes), eu, o Pedro Bial. Acho que também vai ser bem bacana. E tem o meu site, que eu estou trabalhando para que bombe.

Um site? De quê?

De tudo. Vou falar de música, cinema, teatro, literatura. Hoje, nas redes sociais, todo mundo tem opinião, mas não precisa mostrar a cara. Eu vou dar a minha a tapa. 

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