José Lewgoy volta a ser vilão

José Lewgoy, que ficou famoso interpretando vilões nas chanchadas da Atlântida, volta à vilania. E o faz depois de interpretar burgueses podres de chique nas novelas da Globo, em especial nas escritas por Gilberto Braga. O responsável pela volta do ator à velha forma é o cineasta Hugo Carvana, que o escalou para interpretar o dr. Boris Lewinsky, em Tempestade Cerebral. O filme, uma comédia musical, encontra-se em fase de finalização, no Rio."Adorei o papel", diz Lewgoy. "Os vilões são sempre os melhores personagens." Carvana colocou o dr. Boris Lewinsky numa cadeira de rodas para "homenagear o dr. Strangelove, de Peter Sellers, na comédia Dr. Fantástico (direção de Stanley Kubrick/1964 )".Se hoje Lewgoy se diverte ao interpretar mais um vilão, nem sempre foi assim. Houve momentos em que, referindo-se a muitas das chanchadas em que atuou, foi taxativo: "Estudei arte dramática em Yale, mas todo o meu Shakeaspeare tem sido gasto em filmes lamentáveis."Depois de trabalhar em produções brasileiras e estrangeiras importantes como Terra em Transe, Fitzcarraldo, O Beijo da Mulher Aranha, Festa, Faca de Dois Gumes e num curta de excepcional qualidade (Glaura, de Guilherme de Almeida Prado), Lewgoy já não vê as chanchadas com tanto rigor. Só pondera, bem-humorado, que interpretar vilões traz um grave inconveniente: "Atrapalha na escalação para anúncios publicitários, pois as empresas preferem os bonzinhos da fita."O ator pensa melhor e, com sua ironia costumeira, volta ao ataque. Diz que o jornalista e pesquisador Sérgio Augusto, colaborador do Estado, está certo em sua avaliação positiva do gênero da chanchada, no livro Este Mundo É um Pandeiro (Companhia das Letras/1989). "Estou de acordo com ele no que diz respeito aos filmes da Atlântida, mas é certo que, em nome da sobrevivência, gastei meu Shakespeare, meu Moliére, meu Chekhov e meu Feydeau num monte de filmes ruins."Tempestade Cerebral, sexto longa de Hugo Carvana, é para Lewgoy "carinhosa homenagem" aos filmes da Atlântida. "Carvana recria o espírito feliz e alegre do Rio dos anos 40 até os dias de hoje. Só faltaram Oscarito e Grande Otelo, mas a magnífica interpretação de Marco Nanini supre essa lacuna", comenta.

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