Jornada da Bahia começa com Glauber Rocha

Exibição especial de Barravento, filme de Glauber Rocha que representou o Brasil no Festival de Karlovy-Vary, na antiga Checoslováquia, há exatos 40 anos, abre hoje a 29.ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia. A sessão, que será acompanhada por Lúcia Rocha, mãe do cineasta, ocorrerá no Teatro Senac, no Pelourinho.O festival baiano prossegue em Salvador até dia 11, quando serão entregues os troféus Tatu aos melhores filmes e vídeos das duas mostras competitivas oficiais. Foram selecionados 44 curtas e médias em película e 41 vídeos, oriundos de 18 países afro-ibero-americanos. Mais cem títulos serão exibidos em sessões informativas e especiais.O seminário A Influência do Neo-Realismo no Cinema Brasileiro reunirá, em Salvador, os cineastas Paulo Cezar Saraceni e Walter Lima Júnior, o produtor Rex Schindler, o ator Milton Gaúcho e os pesquisadores Mauro Porru e Hamilton Correia. Paralelo ao seminário, ocorrerá mostra de filmes realizados no fim dos anos 50/início dos 60, quando o diálogo Itália-Brasil se mostrou mais fértil. Serão exibidos Rio 40 Graus, de Nelson Pereira; Osso, Amor e Papagaios, de Mêmolo & Souza Barros; Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinho Neto; Porto das Caixas, de Saraceni, e Trópico, do italiano Gianni Amico (1933-1990). Este filme, realizado em 1968, no Nordeste com atores e temática brasileiros (Joel Barcellos é o protagonista) constitui caso à parte. Afinal, ele mostra a influência do Cinema Novo (Vidas Secas, em especial) sobre um jovem cineasta italiano apaixonado pelo Brasil.Guido Araújo, organizador da jornada, lembra que "os filmes mais famosos do neo-realismo italiano chegaram a Salvador nos anos 50, pelas mãos de Walter da Silveira, diretor do Clube de Cinema da Bahia". E que, "entre os freqüentadores da instituição estava Glauber Rocha, nome fundamental na história do Cinema Novo e no diálogo com o cinema italiano". Para prestar tributo a Glauber, a jornada exibirá Barravento (1961) e a Câmara Municipal da cidade de Salvador dará a sua mãe, Lúcia Rocha, nascida em Vitória da Conquista há 83 anos, o título de cidadã soteropolitana.Guido Araújo destaca, na jornada deste ano, "a expressiva presença espanhola, pois de todos os 25 países participantes, exceto o Brasil, a Espanha é o que comparece com o maior número de filmes e vídeos, superando até mesmo os vizinhos latino-americanos". Destaca, também, "a participação, pela primeira vez de países com pequena cinematografia, como é o caso da Guatemala, do Equador e da Colômbia".Entre as programações especiais, o coordenador da jornada acredita que "a mostra internacional De Olhos Abertos para o Mundo da Atualidade, que tem o jornalista Tim Lopes, assassinado por traficantes de droga, como homenageado, deve despertar grande interesse do público e da crítica especializada".Graças ao apoio da Fundação Palmares, a mostra dedicada a Tim Lopes exibirá, entre outros títulos, Conversações com os Nuba, de Arthur Howes, e Circus Baobah, de Laurent Chevalier. "Esses dois filmes são obras singulares que impactarão os espectadores ao apresentar visão abrangente e diferenciada da realidade atual do continente africano", diz Araújo.A jornada promoverá, também, em parceria com o Instituto de Radiodifusão da Bahia (Irdeb), mostra e debate de produções realizadas especialmente para a TV. Alguns documentários de longa-metragem brasileiros e estrangeiros serão exibidos em diversas mostras. Entre eles se destacam Língua - Vidas em Português, de Victor Lopes, Juazeiro - A Nova Jerusalém, de Rosemberg Cariry, e Bahia de Todos os Sambas, de Saraceni & Hirszman.Três livros serão lançados no festival baiano: Teatro Oficina - Onde a Arte não Dormia, de Ítala Nandi; Walter Lima Jr. - Viver Cinema, de Carlos Alberto Mattos; e Cinema Brasileiro 60-70 - Dissimetria, Oscilação e Simulacro, de Luiz Claudio da Costa.

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