Jorge Furtado estréia em longa-metragem

Desde que lançou o curta-metragem Ilha das Flores, em 1989, o cineasta gaúcho Jorge Furtado planejava fazer um longa-metragem. O curta, premiado em todos os festivais de cinema brasileiro onde foi exibido, surpreendeu ao vencer o Festival de Berlim daquele ano.Demorou 13 anos, mas agora Furtado estréia em longa com Houve Uma Vez Dois Verões, filme que conta a história de um adolescente que se apaixona por uma garota mais velha, durante as férias na praia.O lançamento em São Paulo deve ocorrer no mês que vem. No Rio Grande do Sul, o filme já foi visto por 25 mil pessoas em seis semanas de exibição. É um público bom em termos de cinema brasileiro. Filmes importantes como Os Matadores, de Beto Brant, ou Céu de Estrelas, de Tata Amaral, fizeram pouco mais de 30 mil espectadores no Brasil inteiro.O filme de estréia de Jorge Furtado deveria ter sido O Homem que Copiava, um roteiro de sua autoria, sobre um rapaz que trabalha em uma xerox. Sua única fonte de cultura são os textos dos quais faz cópias. O projeto estava orçado em R$ 3 milhões e a captação de recursos foi lenta.Nesse meio tempo, Furtado soube que o Ministério da Cultura abrira um concurso para filmes de baixo orçamento (até R$ 1 milhão) e inscreveu o roteiro de Houve Uma Vez Dois Verões. "Planejamos uma história simples, fácil de filmar, só com atores desconhecidos, que seria rodada com câmeras digitais", conta Furtado. O projeto foi aprovado e, por ser de filmagem simples, acabou passando à frente de O Homem que Copiava. "Pode-se dizer que vou estrear em longa-metragem com meu segundo filme."O roteiro procura retratar uma época da vida dos jovens: a fase de viajar para a praia nas férias. "Nessa idade, é comum que as pessoas tenham amigos e até turmas que só se encontram nas férias", diz Furtado. O problema é que o personagem principal se apaixona pela garota e resolve procurá-la na cidade. Acontecem alguns problemas e, um ano depois, no segundo verão, eles voltam a se encontrar, em um momento bem diferente.O fato de usar câmeras digitais facilitou o trabalho dos jovens atores. Isso porque o formato permite gravar uma cena tantas vezes quantas forem necessárias, sem custo adicional. "Houve cenas mais difíceis que precisaram ser repetidas mais de 20 vezes.Até os ensaios eram gravados e assistidos na mesma hora pelos atores, para aperfeiçoar as cenas, coisa impensável quando se usa película cinematográfica", afirma o diretor. Apesar da temática jovem, Furtado conta que o público nas salas de cinema tem idade variável. "Pensei que só jovens iriam ver, mas quase metade das pessoas é formada por casais e até pessoas mais velhas."A trilha sonora chegou às lojas do Rio Grande do Sul na semana passada e é composta por 12 faixas, das quais 10 são de grupos do Sul. As outras duas são gravações do grupo mineiro Pato Fu e de Cássia Eller cantando Nasci para Chorar, um dos últimos trabalhos da cantora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.