Jorge Bodanzky recebe homenagem no É Tudo Verdade

Jorge Bodanzky entrou definitivamentepara a história do cinema brasileiro ao filmar nos anos 70, comOrlando Senna, o revelador Iracema, uma Transa Amazônica. Olonga, que retrata com crueza a devastação da Amazônia e aprostituição na região, não por acaso foi proibido pela censuraenquanto ganhava prêmios pelo mundo e milhares de fãs no Brasil. A partir daí, ganhou ainda mais fama a figura docineasta de espírito viajante, que se aventurava por expediçõespelo Brasil, pela América do Sul, pela Alemanha, Jamaica e atéAntártida. Mas o que não sabem muitos fãs e estudiosos é que aidéia para o próprio Iracema também surgiu de uma das tantasviagens que o fotógrafo e diretor fez à Amazônia, como parte deseus projetos de documentação. "Iracema nasceu em função deuma viagem como free-lancer para a revista Realidade, para umamatéria que nem saiu. Fiquei preso por alguns dias em um postode gasolina na estrada Belém-Brasília e pude observar a vida dosmotoristas de caminhão e, assim, surgiu a história, que ébaseada em coisas que observei." Esta e outras histórias e trabalhos de Bodanzky ficarammuito tempo desconhecidos do público brasileiro. Muitosdocumentários dirigidos por ele só foram exibidos no exterior. Efoi pensando em diminuir essa distância, entre o públiconacional e o diretor, que Amir Labaki, diretor e criador do "Étudo Verdade", decidiu homenagear Bodanzky e exibir 13 de seustrabalhos neste ano. "A idéia surgiu quando o Amir meentrevistou para o programa dele no Canal Brasil, quando foiexibido A Igreja dos Oprimidos. Estou muito feliz. Não hálugar melhor para apresentar meu trabalho", conta Bodanzky, queno dia 29 tem encontro com o público no CCBB. O próprio Amir não conhecia a fundo o trabalho deBodanzky. "O documentário está sempre correndo pelas margens.Produzi muita coisa para TVs estrangeiras que nunca foi exibidaaqui. De alguns não consegui cópia, mesmo com a ajuda valiosa daCinemateca e do Instituto Goethe", conta Bodanzky, que tocouvários projetos na Europa. "Dirigi muito para a Alemanha.Estudei lá e trabalhei por muitos anos como fotógrafo e comocâmera para TVs alemãs e francesas. Era onde eu tinha maiscondições de produzir." Estas raridades, como Os Mucker, serão finalmenteexibidas durante o festival. Outras parcerias com a França, como"Igreja dos Oprimidos", também integram a mostra. "No mercadointernacional há muita co-produção. Dividir os custos é a saídamais viável para não depender de editais públicos. O Brasilficou distante disso. O DOC TV está abrindo esse caminho." Bodanzky também ganha biografia escrita pelo críticoCarlos Alberto Mattos, que será lançada pela Imprensa Oficialdurante o festival. Não por acaso, Mattos cita a ?dramaturgia daviagem? que impregna a obra do diretor. "Meus filmes são sempreuma aventura. Faz parte do meu jeito de ser", declara o diretor,que também está feliz com o lançamento de Iracema em DVD. "Meaproxima do meu público, que sempre ficou mais restrito aoexterior. Hoje, a TV também abre mais espaço para o documentáriocomo a Globo, que exibiu o ´Falcão´". Bodanzky já vive novas aventuras. É o "Projeto NavegarAmazônia", um barco de madeira, cujo andar de cima é umlaboratório multimídia. "Acabo de voltar de uma viagem de 18dias pelo Pará. Fizemos oficinas de arte, cinema, com JorgeMautner, Evaldo Mocarzel", conta. E tudo está no site wwwnavegaramazonia.org.br. "Vai virar um DVD. O projeto, que segueaté 2007, é um ponto de cultura itinerante e flutuante. Vaivirar um canal móvel de TV na Amazônia. Nossa próxima empreitadaserá cobrir a Pororoca na Amazônia."Festival É Tudo Verdade. MIS. Av. Europa, 158,3062-197. CCBB. R. Álvares Penteado, 112, 3113-3651. CineSesc. R Augusta, 2.075, 3082-0213. Cinusp. R. do Anfiteatro, 181,3091-3364. Galeria Olido. Av. São João, 473, 3331-7703. ItaúCultural. Av Paulista, 149, 2168-1777. A programação completapode ser vista no site www.etudoverdade.com.br

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